Pai é solto após ser inocentado sobre a morte do filho de oito meses; ele ficou dois anos preso 

O jovem conseguiu, a partir de uma perícia particular, comprovar que não teria como ele ter sido o responsável pela morte do filho

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Foram dois anos e um mês atrás das grades por um crime que, segundo a Justiça, o ajudante de obras Dorgival José da Silva Junior, de 24 anos, não cometeu. O homem ficou detido todo esse tempo porque era acusado de ter matado seu filho, um bebê de apenas oito meses.

A morte da criança aconteceu em outubro de 2019, em Petrolina, no Sertão de Pernambuco. Depois de 12 horas de julgamento, a defesa do ajudante de obras conseguiu, por meio de uma perícia particular, comprovar que o jovem não matou o filho, que acabou morrendo asfixiado pelo próprio vômito.

Dorgival saiu da cadeia no começo desta semana e, na frente da penitenciária, estava a professora Maria Luzinete Gomes, mãe de Dorgival, que andou 25 quilômetros para ver o fim do pesadelo de seu filho.

“As pessoas diziam: ‘você com essa idade, vai a pé, 25 km?’. Eu dizia que isso era pouco. Ruim foi dois anos de espera. Seis horas, sete horas a pé, 25 km, não é nada”, disse Maria Luzinete, que ainda completou, durante entrevista ao portal “G1”, divulgada nesta quinta-feira (02), que sempre acreditou na inocência do jovem.

O jovem conseguiu, a partir de uma perícia particular, comprovar que não teria como ele ter sido o responsável pela morte do filho.
O jovem conseguiu, a partir de uma perícia particular, comprovar que não teria como ele ter sido o responsável pela morte do filho. (Foto: reprodução)

Um recomeço para o jovem

Agora livre, o ajudante de obras tentará recomeçar sua vida fora da cadeia, podendo ainda ver o crescimento de seu outro filho, irmão gêmeo do que morreu. “Nunca pensei que, além da dor de perder meu filho, ia ser preso por conta disso. Fiquei realmente surpreso”, disse Dorgival, também em entrevista ao portal “G1”.

Segundo ele, a morte de seu filho fez com que a vida dele e de sua família mudasse completamente. Isso porque ele perdeu um filho, não pôde ver os primeiros anos de vida do outro, foi demitido do emprego e ainda viu seu casamento terminar.

“Não conseguia dormir. Além de ter perdido meu filho, fui encaminhado para aquele lugar. Não desejo a ninguém. Perdi o emprego, esse tempo todo que passei lá, longe do meu outro filho. Não tive a oportunidade de acompanhar o crescimento de meu outro filho. O sonho de ser pai. Fui impedido de acompanhar o crescimento do meu filho”, lamentou.

Durante o julgamento, além da defesa mostrar que o pai não poderia ser o autor de qualquer violência contra a criança, o Ministério Público (MP) também pediu a absolvição de Dorgival. Isso porque o órgão entendeu que as provas não eram suficientes para sustentar o pedido de condenação do ajudante de obras, que agora pode entrar com um pedido de indenização pelo tempo na cadeia.

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