Osmar Terra deu seu depoimento na CPI da Covid-19

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O deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) foi convocado para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 no dia 9 de junho, e hoje (22) ele deu seu depoimento. Sua proximidade com Jair Bolsonaro fez com que Terra fosse citado na CPI. Além disso, ele é suspeito de fazer parte do “gabinete paralelo” de aconselhamento ao presidente durante a pandemia. Em entrevista, Terra negou a existência de um gabinete paralelo.

Até o momento, Osmar Terra está sendo ouvido apenas como convidado.  Agora, os senadores da CPI investigam se o deputado teve alguma influência nas políticas públicas promovidas pelo governo Bolsonaro. Embora seja formado em medicina, Osmar Terra minimizou a gravidade da pandemia e defendeu posições sem comprovação científica desde o início, como o uso da cloroquina em pacientes com Covid-19.

O que Osmar Terra disse sobre a Covid-19?

Logo no começo de 2020, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) já mostrava preocupação com o coronavírus e recomendava várias medidas para achatar a curva de contágio, Terra afirmava que o país estava passando por uma “quarentena radical” e “sem efeitos”. 

Como contraproposta, o médico defendia a imunidade de rebanho para lidar com a pandemia, sem necessidade de isolamento ou vacinação. Osmar Terra acreditava que o vírus não sofreria mutações e não seria capaz de contaminar novamente quem já tinha sido contaminado. 

Segundo sua tese, as pessoas que já contraíram a doença se tornariam imunes e, assim, seria possível atingir a imunidade de rebanho. O deputado afirmou em suas redes sociais que “esta epidemia, na minha opinião, vai ser menor e com muito menos dano à população do que a epidemia de H1N1, por exemplo”. 

Apesar das suas afirmações, Osmar Terra nunca apresentou evidências para sua previsão. 

Terra estava errado?

Ele se mostrou contrário ao fechamento do comércio e ao isolamento social. Entretanto, a OMS recomenda essas medidas de prevenção comprovadamente eficazes desde o início da pandemia. 

Ao contrário do que aconteceu em vários outros países, o Brasil nunca teve um lockdown institucionalizado, com políticas nacionais de restrição de circulação e isolamento social.

Diferentemente o deputado alegou, os estudos indicaram que existem vários casos de reinfecção e que o vírus já sofreu múltiplas mutações.

Segundo suas falsas previsões, a pandemia devia ter se encerrado há um ano. Entretanto, pesquisadores afirmam que o Brasil está enfrentando sua terceira onda de contaminação.

O depoimento de Osmar Terra

O relator Renan Calheiros (MDB-AL) e o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), perguntaram a Terra sobre a imunidade de rebanho. Em sua fala inicial, o médico negou ter defendido que a população se contaminasse livremente para adquirir imunidade. Para ele,  “a imunidade de rebanho é uma consequência”.

Porém, pouco depois, o deputado continuou defendendo abertamente a imunidade de rebanho, contrariando todas as autoridades no assunto. Ele também alegou ter apenas uma relação de amizade com o presidente, sem ter conhecimento sobre o que se passa no ministério.

Embora tenha mostrado posicionamentos contrários à vacinação, Terra diz em seu depoimento que “sempre que eu tive oportunidade de falar sobre vacinas para o presidente eu as defendi. Tanto que quando ele assina R$ 20 bilhões durante o ato de posse do Ministro do Turismo para compra de vacinas, ele me dá a caneta de tanto que falei de vacinas para ele”.

Ao explicar a gestão de Bolsonaro e o número crescente de mortos, ele disse que “essas 500 mil mortes não estão acontecendo em um outro país em que o presidente podia decidir tudo”. Mesmo sem dar mais detalhes ou embasamento, Terra também continuou dizendo que alguns estudos negam a eficácia do isolamento.

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