Nunes Marques vai analisar ação contra Bolsonaro por diálogo com Kajuru

Ministro do STF indicado por Bolsonaro há cinco meses é sorteado relator de ação da oposição contra presidente por diálogo polêmico com senador Kajuru

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O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, foi sorteado relator da ação movida contra Jair Bolsonaro após a divulgação de uma conversa entre o presidente e o senador Jorge Kajuru.

Na ligação divulgada no último domingo (11) gravada por Kajuru, Bolsonaro pressiona por uma mudança no objeto da CPI da Covid, que deve investigar a atuação do governo federal no combate à pandemia, além de analisar os repasses feitos a estados e municípios neste período.

A notícia-crime foi apresentada na última quarta-feira (14) e é assinada pelos deputados federais David Miranda, Fernanda Melchionna, Sâmia Bomfim e Vivi Reis, todos do PSOL.

Segundo os parlamentares, o presidente teria tentado interferir em mandatos no Senado Federal para atingir membros do STF:

“O regime democrático, por si só, não permite qualquer espécie de intimidação, mormente quando essa intimidação emana de um Presidente frente a seus adversários. E mais: uma intimidação que fere de morte uma das funções constitucionais do Congresso Nacional, qual seja, fiscalizar os atos do Poder Executivo”.

Ainda segundo a notícia-crime, Bolsonaro ofereceu apoio político a Kajuru em troca da realização de seus pedidos de alteração do objeto da CPI da Covid e de pressão para o andamento de pedidos de impeachment contra os ministros do STF.

Diálogo entre Bolsonaro e Kajuru

No último domingo (11), o senador Jorge Kajuru soltou uma gravação em que o presidente fala sobre possíveis pedidos de impeachment contra ministros do STF.

Bolsonaro dá a entender que a instalação da CPI para apurar ações do governo no combate à pandemia poderia ser interrompida caso esse tipo de pedido fosse feito.

Além disso, o presidente também cobrou que a CPI, se instalada, trabalhe para apurar a atuação de prefeitos e governadores.

Na última segunda-feira (12), Kajuru divulgou outro trecho da conversa onde Bolsonaro diz que teria que “sair na porrada” com o senador Randolfe Rodrigues.

O chefe do Executivo também chamou o político de “bosta” e novos desgastes foram potencializados nas relações políticas do presidente.

O senador Flávio Bolsonaro chegou a solicitar que o Conselho de Ética do Senado apurasse a conduta de Jorge Kajuru por ter divulgado a conversa sem justificar “a estrita necessidade”.

Relação de Nunes Marques com o planalto

No Supremo há apenas cinco meses, Nunes Marques já acumula uma série de posicionamentos alinhados aos interesses do Palácio do Planalto.

A mais recente foi a liberação de cultos e missas presenciais, mesmo em meio aos recordes de casos e mortes pela Covid-19 em todo o país.

A decisão foi posteriormente revertida pelo plenário do STF por 9 votos a 2.

O ministro foi indicado por Bolsonaro com o aval de políticos do “Centrão”.

Repercussão no Twitter

Todos os parlamentares que assinaram a notícia-crime apresentada ao STF contra Jair Bolsonaro por advocacia administrativa e corrupção ativa, se manifestaram através de suas redes sociais.

  • David Miranda:

“URGENTE! Ao tentar interferir na CPI da Covid através de telefonema com um senador, Bolsonaro comete mais um crime em sua gestão. Nós do PSOL apresentamos uma notícia-crime junto ao STF”.

  • Fernanda Melchionna:

“A cadeira da Presidência da República não pode ser usada como instrumento de chantagem, tráfico de influência ou persuasão perante outros poderes”.

  • Vivi Reis:

” URGENTE – Bolsonaro cometeu um crime grave ao tentar interferir na CPI da Covid em um telefonema com um senador. Apresentei uma notícia-crime junto ao STF para que ele seja responsabilizado”.

  • Sâmia Bonfim:

“Bolsonaro quer seguir a “sinalização do povo”? Então que renuncie e se entregue à justiça para responder por seus crimes”.

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