‘Não tem dimensão humana’, diz Maia sobre Bolsonaro ironizar tortura sofrida por Dilma

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O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nesta terça-feira (29) por ironizar a tortura sofrida pela a ex-presidente Dilma Rousseff durante a ditadura militar. Maia escreveu no Twitter que o presidente não possui “dimensão humana” e prestou solidariedade à ex-presidente.

“Bolsonaro não tem dimensão humana. Tortura é debochar da dor do outro. Falo isso porque sou filho de um ex-exilado e torturado pela ditadura. Minha solidariedade à ex-presidente Dilma. Tenho diferenças com a ex-presidente, mas tenho a dimensão do respeito e da dignidade humana”, declarou o parlamentar.

Além disso, Rodrigo Maia retuitou uma postagem do deputado Baleia Rossi (MDB-SP), que também presta solidariedade à Dilma. Ele é o candidato que Maia apoia na eleição para a presidência da Casa.

“Não é sobre esquerda, centro ou direta. É sobre a dignidade humana, é disso que se trata. Nossa solidariedade à ex-presidente Dilma Rousseff. Tortura nunca mais”, afirmou Rossi.

Os deputados se juntam a outros políticos que prestaram solidariedade à petista. Nas redes sociais, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Lula (PT) manifestaram apoio a Dilma.

Dilma torturada na ditadura militar

A declaração de Bolsonaro foi na última segunda-feira (28) em conversa com apoiadores em Brasília. Ele cobrou que lhe mostrassem um raio X de Dilma para provar uma fratura na mandíbula enquanto estava presa durante a ditadura militar, em 1970.

“Dizem que a Dilma foi torturada e fraturaram a mandíbula dela. Traz o raio X para a gente ver o calo ósseo. Olha que eu não sou médico, mas até hoje estou aguardando o raio X”, disse o presidente.

Em nota, a ex-presidente Dilma Rousseff comentou as provocações feitas por Jair Bolsonaro. Em resposta, a petista afirma que Bolsonaro tem uma “índole de torturador” e o chamou de “fascista” e “sociopata”.

“A cada manifestação pública como esta, Bolsonaro se revela exatamente como é: um indivíduo que não sente qualquer empatia por seres humanos, a não ser aqueles que utiliza para seus propósitos. Bolsonaro não respeita a vida, é defensor da tortura e dos torturadores, é insensível diante da morte e da doença, como tem demonstrado em face dos quase 200 mil mortos causados pela covid-19 que, aliás, se recusa a combater. A visão de mundo fascista está evidente na celebração da violência, na defesa da ditadura militar e da destruição dos que a ela se opuseram”, diz trecho da nota de Dilma. A íntegra está disponível no site da ex-presidente.

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