Mutação da Covid-19 é registrada pela primeira vez no Brasil

Essa é a mesma cepa que surgiu no Reino Unido. A descoberta foi comunicada ao Instituto Adolfo Lutz e à Vigilância Sanitária

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São Paulo registrou pela primeira vez a nova mutação da Covid-19, que surgiu no Reino Unido. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (31) pelo laboratório de diagnóstico Dasa, que encontrou dois casos da variante. De acordo com a empresa, a descoberta foi comunicada ao Instituto Adolfo Lutz e à Vigilância Sanitária.

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De acordo com a Dasa, foram analisadas 400 amostras de saliva, coletadas por testes de RT-PCR. Esse tipo de teste, considerado padrão ouro de diagnóstico, detecta o código genético (RNA, nesse caso) do vírus nas amostras.

A confirmação foi feita por meio de sequenciamento genético, em parceria com o Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IMT-FMUSP).

Chamada de B.1.1.7, a mutação já foi registrada em pelo menos outros 17 países. Até o momento, não há evidências de que a variante provoque casos mais graves ou com maior índice de mortes, nem mesmo que seja resistente às vacinas.

No Reino Unido, ela já representa mais de 50% dos novos casos diagnosticados, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). O estudo do laboratório brasileiro que identificou essa versão do coronavírus foi iniciado em meados de dezembro, quando o Reino Unido publicou as primeiras informações científicas sobre a variante.

Segundo o laboratório, a empresa está trabalhando com o Instituto de Medicina Tropical da USP para gerar material que permita testar a eficiência de alguns tipos de testes da Covid-19. (Isso não se aplica aos testes PCR, que são capazes de detectar o vírus mesmo na nova variante).

“Alguns testes de imunologia e de sorologia que só identificam a proteína S podem apresentar resultados falso negativos nos diagnósticos dessa nova variante”, explicou em nota o diretor médico da Dasa, Gustavo Campana.

Mutação reforça necessidade de quarentena 

Para a cientista Ester Sabino, do IMT da USP, a nova mutação reforça a necessidade da quarentena. “Dado seu alto poder de transmissão, esse resultado reforça a importância da quarentena, e de manter o isolamento de 10 dias, especialmente para quem estiver vindo ou acabado de chegar da Europa”, disse.

Em nota, o Instituto Adolfo Lutz disse que está analisando as amostras e que fará o sequenciamento genético para identificação da linhagem em até 48h. “Independentemente disso, a Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, em parceria com o município da Capital, já tomou todas as providências quanto ao monitoramento dos casos confirmados e dos seus contactantes”, afirmou.

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