MP acredita que Crivella sabia que seria preso antes de operação

Os promotores ressaltam que, naquela manhã de setembro, um porteiro revelou que Crivella havia acabado de chegar em casa, "tendo passado a noite em endereço ainda não revelado"

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O Ministério Público (MP) do Rio Janeiro pediu à Justiça a quebra do sigilo dos dados de três telefones celulares, de um tablet e de um computador apreendidos no apartamento de Marcelo Crivella, prefeito afastado do Rio de Janeiro.

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A investigação aponta a existência de um “QG da Propina” na Prefeitura do Rio. No esquema, de acordo com as apurações do MP, empresários pagavam para ter acesso a contratos e para receber valores que eram devidos pela gestão municipal.

De acordo com o MP, Crivella “tem atuado de forma a obstruir, sorrateiramente, o acesso a provas, inclusive por meio de expedientes maliciosos”. Ainda para o órgão, há “indícios suficientes indicando que Crivella usou informações privilegiadas, obtidas de forma criminosa” da segunda fase da Operação Hades, em 10 de setembro, quando o então prefeito foi alvo de busca e apreensão. A primeira etapa foi deflagrada em março.

Os promotores ressaltam que, naquela manhã de setembro, um porteiro revelou que Crivella havia acabado de chegar em casa, “tendo passado a noite em endereço ainda não revelado”. Ao pedido, o MP anexou imagens das câmeras da portaria do condomínio de Crivella, “comprovando que ele havia regressado à sua casa poucos minutos antes da chegada das equipes policiais”.

“Para surpresa de todos, em cerca de apenas 5 ou 10 minutos, dois advogados chegaram, o que indica que ambos já estavam ‘a postos’ nas imediações da casa de seu cliente e prontos para atendê-lo, circunstância deveras inusitada, dado o horário em que foram acionados”, escreveram os promotores.

Além disso, o MP relembra que em setembro, a equipe solicitou que Crivella entregasse seu telefone celular. O prefeito, então, “ofertou um iPhone 7 que estava desligado e repousava sobre a sua mesa de cabeceira”, mas se negou a fornecer a senha de desbloqueio do aparelho.

A análise do conteúdo, segundo o MP, “evidencia que tal celular não era o seu aparelho de uso pessoal”.  A análise dos dados mostra que se tratava de um telefone funcional usado por algum assessor, já que as ligações feitas por ele aconteceram predominantemente na região da Cidade Nova, onde fica a sede da Prefeitura do Rio.

Apreensão após prisão

Os aparelhos que o MP quer quebrar o sigilo foram apreendidos no último dia 23 de dezembro, antes de Crivella conseguir liberação para seguir em prisão domiciliar. Ele foi preso no dia 22 em uma ação conjunta entre a Polícia Civil e o MP.

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