Morte de grávida no Rio tem evidências de homicídio pela PM, diz OAB

Nadine Borges,  vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, diz que o caso da jovem Kathlen tem evidências de homicídio por parte da PM

0

A família de Kathlen de Oliveira Romeu, a jovem que estava grávida e foi morta na última terça-feira (08) na comunidade de Lins de Vasconcelos, na zona norte do Rio de Janeiro, prestou depoimento nesta sexta-feira (11), na Delegacia de Homicídios do Rio, na Barra da Tijuca (zona oeste), que é onde o caso está sendo investigado.

Jovem de 18 anos morre durante a noite de núpcias em MG

De acordo com Nadine Borges, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, o caso tem evidências de homicídio pela Polícia Militar. Segundo ela, que acompanhou os depoimentos, existe uma convicção de que a morte da jovem, de 24 anos, não foi um acidente.

“Foi muito chocante o que nós ouvimos, sobretudo da avó dela, que presenciou a cena do crime. O depoimento da avó só reforça os indícios de que houve homicídio por parte da Polícia Militar. Não há registro, no depoimento, de que houvesse confronto no momento. Apenas a existência de muitos tiros. O que ela disse é que ouviu muitos tiros e só viu policiais militares”, contou Nadine.

Kathlen e sua avó, Sayonara de Oliveira, andavam juntas por uma das vias de acesso da comunidade, quando os tiros foram ouvidos e a jovem caiu.
Kathlen e sua avó, Sayonara de Oliveira, andavam juntas por uma das vias de acesso da comunidade, quando os tiros foram ouvidos e a jovem caiu. (Foto: reprodução)

A fala da avó, citada por Nadine, foi no sentido de que houve uma omissão por parte dos agentes da Polícia Militar (PM), que são suspeitos do crime. De acordo com Sayonara Fátima, que estava com a neta no momento em que ela foi baleada, os policiais não quiseram prestar socorro à Kathlen, que tomou um tiro de fuzil no torax.

“A Polícia Civil vai ter que investigar isso com muita cautela, porque as evidências são muito fortes de um homicídio, de fraude processual, por supostamente terem alterado a cena do crime antes da realização da perícia, de crime de desobediência em relação à decisão do STF [Supremo Tribunal Federal], que no ano passado proibiu a realização de operações policiais em favelas a não ser em situações extraordinárias”, disse Nadine, que ainda completou que a operação configura uma afronta à Corte.

Além da avó da jovem, a mãe dela, Jaqueline de Oliveira Lopes, também prestou depoimento e desabafou em conversa com jornalistas que marcaram presença na delegacia. “Eu preciso gritar por justiça por Kathlen. Não foi em vão. Não vai ser em vão. Ela foi a última. Gravem esse nome, não foi em vão”, afirmou ela, que já disse que tem certeza que o tiro partiu mesmo de um agente da PM.

“Se a minha filha fosse morta por bandido eu não falaria nada, porque eu sei que eu moro num lugar que não poderia falar, então eu ficaria na minha. Mas não foi, foi a polícia que matou a minha filha”, afirmou.

Mais sobre o caso: Polícia afasta das ruas agentes envolvidos em ação que resultou na morte de Kathlen

Veja Também:

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.