Mianmar pode entrar em conflito semelhante ao da Síria, alerta ONU

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A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou, na última terça-feira (13), que Mianmar pode estar se encaminhando para um conflito “em grande escala”. A chefe dos direitos humanos da organização, Michelle Bachelet, disse que a situação do país asiático pode ser semelhante à guerra de uma década na Síria.

Protesto em Mianmar
Polícia dispara canhão de água contra os manifestantes durante protesto em Mianmar (Reprodução: Bangkok Post)

“Temo que a situação em Mianmar esteja caminhando para um conflito total. Os Estados não devem permitir que os erros mortais do passado na Síria e em outros lugares se repitam. Os militares parecem ter a intenção de intensificar a política impiedosa de violência contra o povo de Mianmar, usando armamento militar indiscriminado”, afirmou Bachelet em um comunicado.

A ex-presidente do Chile, hoje Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, exortou a comunidade internacional a intensificar os esforços para pôr fim à repressão no país do sudeste asiático. Ela afirmou que a repressão “ecoa claramente” a situação na Síria em 2011 porque “lá também vimos protestos pacíficos recebidos com força desnecessária e claramente desproporcional”.

“A repressão brutal e persistente do Estado contra seu próprio povo fez com que alguns indivíduos pegassem em armas, seguido por uma espiral decrescente e em rápida expansão de violência por todo o país”, explicou Bachelet. De acordo com a mídia internacional, a repressão contínua e a escalada da violência levaram milhares de pessoas a serem deslocadas internamente, enquanto centenas buscaram refúgio em países vizinhos.

A comunidade internacional e o golpe em Mianmar

Em resposta ao golpe e à violência em curso, a União Europeia, o Reino Unido e os Estados Unidos impuseram sanções a vários oficiais militares de alto escalão, bem como a conglomerados apoiados pelo Estado. 

A junta militar tomou o poder em um golpe de 1º de fevereiro, prendendo centenas de políticos da oposição, incluindo a líder eleita do país, Aung San Suu Kyi. Em seguida, o exército reprimiu violentamente os protestos pró-democracia contrários ao golpe.

De acordo com a Associação de Assistência a Presos Políticos (AAPP), que contabiliza vítimas e prisões desde o golpe, 714 pessoas perderam a vida e mais de 3.050 foram detidas. Além disso, as forças de segurança estariam cobrando aos parentes das pessoas mortas uma “multa” de cerca 90 dólares (aproximadamente R$ 500) para reivindicar os corpos de vítimas nos confrontos.

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