Metade das mortes seriam evitadas com vacinas e ações coordenadas, diz Maierovitch

Claudio Maierovitch, que é médico sanitarista da Fiocruz, e já foi presidente da Anvisa, depôs na CPI nesta sexta (11) na condição de convidado

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Nesta sexta-feira (11), o médico sanitarista Claudio Maierovitch, que foi convidado à depor na CPI da Covid-19, afirmou que é possível estimar que metade das atuais 482.135 mortes causadas pelo vírus no Brasil poderiam ter sido evitadas caso o governo federal tivesse contratado vacinas mais rápido e ajudado estados e municípios a adotar ações coordenadas de combate à doença.

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Claudio Maierovitch é médico sanitarista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Além disso, ele já foi presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e já atuou como diretor de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde.

Para embasar a afirmação sobre menos mortes, o médico usou um estudo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que indicou uma estimativa de 80 a 90 mil vidas salvas apenas com a contratação anterior de vacinas.

Metade das mortes seria evitada com vacinas e ações coordenadas, diz Maierovitch
Claudio Maierovitch, que é médico sanitarista da Fiocruz, e já foi presidente da Anvisa, depôs na CPI nesta sexta (11) na condição de convidado. (Foto: reprodução)

“Certamente, se tivéssemos tido alguns períodos de confinamento, uma boa campanha de comunicação, medidas no campo da economia, no campo social, adotadas tempestivamente de forma coordenada, teríamos um número de mortes muito menor”, começou.

“Não sei se alguém já fez essa estimativa de forma científica, mas se a gente fosse pensar em grande números, em ordem de grandeza, é possível estimar que tivéssemos metade dessas mortes evitáveis”, disse Cláudio Maierovitch.

Ritmo da vacinação 

Durante seu depoimento, o médico, que falou ao lado da cientista e microbiologista Natalia Pasternak, também convidada, disse que o ritmo de vacinação no Brasil tem sido extremamente lento, em especial na comparação com outros países que buscaram acelerar o processo de aquisição de imunizantes, no ano passado.

Para ele, o Plano Nacional de Imunização (PNI), elaborado pelo Ministério da Saúde, é “pífio”. “O plano de imunização que tivemos é um plano pífio, que não entra nos detalhes necessários para um plano de imunização que deve existir no país”.

“Não tivemos critério homogêneos definidos para o Brasil inteiro de forma que ficou a cargo de cada estado e município definir seus critérios. Pode parecer democrático, mas frente a uma epidemia dessa natureza e escassez de recursos que temos, deixa de ser democrático para produzir iniquidades”, disse ele.

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