Melanie Martinez: quem é e críticas sobre álbuns atuais e antigos

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Conhecida por possuir visual extravagante e infantil, Melanie lança seu primeiro álbum, Cry Baby, em 2015. Suas músicas abordam temas relacionados à depressão, abuso, amor, problemas familiares e decepções. Utilizando a infância como plano de fundo, a artista ganha cada vez mais popularidade entre os adolescentes, jovens e adultos.

Cry Baby possui 13 faixas em sua composição e conta com a contribuição de sons diferentes em suas músicas: gritos, sinos, relógios e até mesmo, bolhas de sabão. Então, já no ano de 2019, lança seu álbum também conhecido como K-12, também abordando os temas que antes eram citados. O machismo é fortemente criticado juntamente com a bulimia e outros distúrbios.

Qual o papel da mulher na sociedade?

Enquanto no primeiro disco conversa-se sobre o lado sentimental de Crybaby, explicando suas ações por meio de flashbacks, a fim de entendermos como o bullying e o desdém de sua mãe a deixaram amarga, “K-12” a põe em ação dentro de várias situações e diferentes realidades sociais. Como exemplo, podemos citar o papel da mulher dentro da sociedade juntamente com o estupro e abusos:

“Eles dizem que garotos gostam de garotas com cinturas finas. / Agora minha mãe está me dando sermão para garantir que eu seja pura (…)

Os garotos agem como se nunca tivessem visto pele antes
Me mandaram para casa me trocar porque minha saia é muito curta

É minha culpa, é minha culpa, porque eu coloquei cobertura em cima
Agora os garotos querem provar essa torta de morango
É meu erro, é meu erro, ninguém os ensinou a não agarrar
Agora os garotos querem provar essa torta de morango” – Strawberry Shortcake / Melanie.”

Strawberry Shortcake / Melanie.

A pedofilia e o abuso do corpo feminino

Na música Teacher’s Pet, podemos observar um enredo conturbado entre a personagem e seu professor. Para quem visualiza a história, é claro que ele a usa como um simples objeto de proveito próprio. Com isso, fica explícito quando a estudante diz: “Você tem esposa e filhos, os vê todos os dias (…) Se sou tão especial, por que sou um segredo?”. Portanto, além de uma situação de abuso e mentiras, o próprio ainda teria uma família, trairia sua mulher frequentemente. Desta forma, um contexto em que ambas as personagens femininas dependeriam dele. A autora trabalha com metáforas nesta canção para poder indicar um tema obscuro: A pedofilia e o abuso.

“Eu não sou um pedaço de bolo / Para você simplesmente descartar / Enquanto você vai embora / Com a cobertura do meu coração / Então eu pego de volta / O que é meu, você vai perder / O pedaço do céu que eu dei-lhe noite passada.” – Cake / Melanie Martinez.

Apenas um papel em que seguimos diariamente…

Em seu clipe Drama Club, Melanie tenta mostrar aos fãs sobre como a mulher é tratada em seus papéis sociais: Deve ela passar roupa, fazer o alimento. Tudo se inicia quando o diretor está apresentando os papéis e pede que vejam os seus, a artista o contesta e pergunta-o se poderia receber uma função menos “doméstica”, desejava ser a presidente. Com isso, o mesmo homem se apresenta de modo sexista: sugere que Melanie tome para ela a função de prostituta. “Seu tipinho é mole e sensível demais para fazer o trabalho de um homem.” Veja um trecho da música:

“Eu não quero ser uma atriz, vivendo de acordo com um roteiro
Quem se importa com ensaios? Eu não dou a mínima
Você está analisando demais todas as palavras que eu digo
Há um mundo inteiro lá fora e você está vivendo uma peça
Foda-se o seu auditório, eu acho isso muito chato.” – Drama Club / Melanie.

Portanto, a possível interpretação da música seria que os roteiros e papéis são designados de acordo com nosso sexo: a mulher deve seguí-lo, cuidar de suas palavras e viver em uma peça que não deseja. Além disso, no clipe Show & Tell, por exemplo, podemos notar os personagens homens todos de azul, as meninas que seguem os padrões usando rosa enquanto Melanie é a única diferente.

Seu filme K-12 também é a imagem pura e crua do feminismo:  Até a divindade suprema não é o Deus convencional, e sim Lilith, a primeira mulher de Adão que se rebelou contra a submissão (e interpretada por uma mulher negra). Ainda pode-se dizer que “K-12” aborda gênero, transexualidade, racismo, bullying, distúrbios alimentares, desvalorização da arte e vários outros.

Melanie, vá direto para a garganta!

A rivalidade entre as mulheres é determinada nos dois álbuns. Podemos notá-la principalmente em Class Fight e Pacify Her: O sexo feminino agiria sempre em pró de um homem, para agradá-lo e roubá-lo para si, usando o corpo e outros artefatos.

“Eu não consigo suportá-la choramingando
Onde está a chupeta dela agora?
E amá-la parece cansativo
Então garoto, apenas me ame muito, muito, muito.” – Pacify Her / Melanie.

No clipe Class Fight podemos notar que a protagonista se encontra angustiada por amar alguém que ama outra moça. Com isso, seu pai lhe diz para agir com violência, não deixando-a ganhar aquela partida:

“Mamãe, por que me sinto triste?
Devo entregá-lo a ela ou me sentir mal assim?
Não, não, não, não engasgue
Papai entrou na conversa: Vá direto na garganta / Direto na garganta, direto na garganta”

Ame o magro, aquilo que é impulsionado pela sociedade.

No primeiro álbum, nos deparamos com uma das músicas mais idolatradas de Melanie: Mrs. Potato Head. Nela, a protagonista se encontra fora dos padrões irreais da sociedade, realiza cirurgias e diversas metodologias para se encaixar neste mundo violento.

Em todas as propagandas de sua Tv, aparecem anúncios que a fazem acreditar ser diferente: comprimidos, perucas juntamente com corpos magros e felizes. Em determinado momento, decide seguí-los e se sente atordoada, senta-se em frente aos seus biscoitos chorando e então toda a música começa.

Uma frase marcante é quando Melanie diz acreditar que a dor seria a beleza, precisamos suportar para sermos amadas: A indústria sexistra implantou suas garras em nossas mentes. Em suma, amor e outros sentimentos honrados só surgiriam com um corpo atraente, não importa o que se passe para alcançá-lo.

“Atraente
Ei garota, se você quer se sentir atraente
Você sempre pode consultar um profissional
Eles enfiarão alfinetes em você, tipo um vegetal

Eterna juventude, eterna juventude
Pele macia de bebê se transforma em couro
Não seja dramática, é só um pouco de plástico
Ninguém irá te amar se você não for atraente

Oh, Senhora Cabeça de Batata, me diga
É verdade que a dor é beleza?
Um novo rosto vem com garantia?
Um rosto bonito vai tornar as coisas melhores?

Oh, Senhor Cabeça de Batata, me diga
Como você pagou a cirurgia dela?
Você promete que vai ficar para sempre?
Mesmo que o rosto dela não fique inteiro
(Mesmo que o rosto dela não fique inteiro)”

Melanie e o suco de laranja

É curioso ver como o público consumidor de Melanie tem uma enorme parcela de adolescentes (e até crianças), o que é assustador: sua arte, definitivamente, não é destinada para plateias tão novas. A justificação é que cada dia mais as crianças e adolescentes presenciam situações submersas e indesejáveis: a depressão, pedofilia, ansiedade e muitos outros. Com exemplo temos a canção Orange Juice. Nesta, as metáforas voltam a ser abordadas para tratarem de distúrbios alimentares.

“Você transforma todas as laranjas em suco
Entra no banheiro e as cospe para fora de você
Seu corpo é imperfeitamente perfeito
Todo mundo quer o que o outro está conseguindo
Sem mais suco de laranja

(…)Eu gostaria de poder te dar os meus olhos

Porque eu sei que seus não estão funcionando

Eu gostaria de poder dizer que você é linda, tão linda

Mas você vai achar isso desconcertante.”

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