Medicago/GSK: conheça a nova vacina aprovada para testes no Brasil

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Nesta quinta-feira (08), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu a aprovação para testes clínicos em população brasileira para a vacina desenvolvida pela Medicago/GSK.

Leia o contexto: Anvisa autoriza novo ensino clínico de vacina contra Covid-19

E nesta matéria, você vai conhecer como funciona esta vacina, o que ela tem de diferente das outras, como ela é feita, por quais organizações e em quais países ela é desenvolvida, além de acompanhar o que se espera que ocorra em relação a ela no Brasil.

Medicago/GSK: como funciona a vacina contra Covid-19 e quais são as empresas envolvidas

Uma das diferenças que esta vacina tem em relação àquelas que já conhecemos, é o fato de ela usar plantas como biorreatores para obter a proteína S-Spike, que é utilizada para “imitar” o coronavírus e ensinar ao corpo a produzir imunizantes contra ele.

Desta forma, ela usa a chamada tecnologia de partícula semelhante ao coronavírus (CoVLP), administrada em conjunto com um adjuvante, sendo aplicada em duas doses com um intervalo de 21 dias.

Esta partícula, a CoVLP é desenvolvida pela biofarmacêutica canadense Medicago R&D Inc, enquanto este adjuvante fica a cargo da empresa GSK (sigla de GlaxoSmithKline), que é uma farmacêutica sediada em Londres, no Reino Unido e multinacional, estando presente em mais de 130 países e empregando mais de cem mil pessoas.

Em outubro do ano passado, o governo canadense investiu US$ 132 milhões no desenvolvimento da vacina da Medicago/GSK, já tendo realizado um pedido provisório de 76 milhões de doses.

Sendo realmente desenvolvida, obteve resultados bastante satisfatórios em seus testes laboratoriais, realizados na primeira fase para aprovação de uma vacina e seguiu avançando, até obter, em fevereiro deste ano, a autorização do FDA (Food and Drug Administration – órgão equivalente à Anvisa, nos Estados Unidos) para que pudesse realizar seus testes nos Estados Unidos.

Os estudos de fase dois passaram a ser realizados então, nos Estados Unidos e no Canadá, enquanto que, agora, irá se iniciar e ocorrer ao mesmo tempo, os estudos de fase três.

A Medicago conta com mais de 450 cientistas e, além do Canadá, também possui uma fábrica nos Estados Unidos.

O seu principal diferencial é justamente utilizar as plantas em suas produções de vacinas, o que ela já fazia para os vírus Influenza e Rotavírus.

Já a GSK trata-se da oitava maior empresa farmacêutica do mundo de acordo com a Forbes de 2015 e foi criada através de uma fusão em 2000, entre as empresas GlaxoWellcome com a SmithKline Beecham.

Alguns de seus principais produtos já são bem conhecidos dos brasileiros, tendo em vista que a GSK é responsável, no país, por produzir diversas vacinas, como contra as hepatites, contra o HPV, o sarampo, o tétano, entre outras.

A aprovação da Anvisa e os próximos passos

Em resumo, a aprovação ocorrida pela Anvisa hoje (08), concedeu somente o direito à utilização desta vacina em um estudo no país.

Este estudo será conduzido com 3.500 brasileiros e será desenvolvido da mesma forma que já foram realizados outros estudos neste sentido no Brasil: onde “x” pessoas serão realmente vacinadas com doses da Medicago/GSK e “y” pessoas receberão doses de placebo. Em nível mundial, a pesquisa contará com a participação de 30 mil pessoas.

Após esta aprovação da Anvisa, o estudo ainda precisa ser aprovado pelo órgão do Ministério da Saúde responsável pela avaliação ética de pesquisas clínicas (Conep), sendo que o órgão ainda não informou uma data para se posicionar sobre o assunto.

Quando aprovado, caberá às organizações que solicitam a pesquisa, recrutar os voluntários em todos os países, para que, assim, a vacina da Medicago/GSK possa de fato começar a ser testada em seres humanos.

Aprofunde-se no assunto: Do laboratório para o nosso braço: como funciona toda a logística das vacinas contra Covid-19.

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