Mandetta e Bolsonaro, separados pelo coronavírus

O casamento que a cloroquina desmanchou

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Antes mesmo do primeiro caso confirmado no Brasil, no dia 26 de fevereiro, a pandemia já se tornava uma polêmica no cenário político brasileiro. De um lado, a cobrança intensa e preocupada – com razão – acerca dos impactos do novo coronavírus. Do outro, a figura presidencial que, após quase um mês de isolamento social, classificava em pronunciamento a infecção por COVID-19 como “gripezinha” ou “resfriadinho”.

 

O Ministério Mandetta

 

No dia seguinte, 25 de março, o então Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta não concordou, mas também não discordou das afirmações presidenciais. O Ministro procurou amenizar, dizendo que, sim, havia um bocado de exageros sobre o novo coronavírus SARS-Cov-2. No entanto, a tensão não parou por aí. O mês de abril seria transformado em um campo de  batalha da saga presidencial em defesa do uso da hidroxicloroquina. Desse modo, vinte dias após o pronunciamento do Executivo, Mandetta anunciava a própria saída do Ministério da Saúde. Para tanto, uma de suas justificativas foi a exigência do presidente Bolsonaro em alterar a bula do fármaco, comumente indicado no tratamento de lúpus e malária.

Bolsonaro nunca aceitou sentar comigo para ver a realidade, afirma Mandetta em livro.

Mandetta e o negacionismo no governo

 

Pois bem, hoje, dia 25 de setembro, véspera do aniversário do sétimo mês da confirmação do paciente zero no Brasil, provavelmente o número de óbitos por COVID-19 ultrapassará a marca de 140 mil mortes. Nesse ínterim, o ex-Ministro Mandetta publicou, ontem, dia de 24 de setembro, livro no qual relata os bastidores de seu ministério junto ao governo. Requentou, assim, as querelas testemunhadas no início da pandemia relativas ao comportamento negacionista e negligente da figura presidencial. Segundo o ex-Ministro da Saúde, Bolsonaro sabia da seriedade do problema e da gravidade dos impactos do novo coronavírus. Contudo, insistiu em ignorar Mandetta, escolhido Ministro pelo próprio presidente. Ainda em livro, Mandetta afirma que Bolsonaro não quis em momento algum se debruçar sobre os dados e projeções, porém optou, ao arrepio da ciência e dos especialistas, em apostar no milagre chamado cloroquina.

 

 

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