Inflação entre os mais pobres dispara 6,22% em 2020, aponta Ipea

Aceleração dos preços dos alimentos no domicílio puxou alta no ano

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O inflação no Brasil em 2020 apresentou forte alta. E, nesta sexta-feira, dia 15, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulgou dados relacionados às famílias mais pobres. De acordo com o levantamento, a inflação entre os que possuem rendimento familiar mensal menor que R$ 1.650,50 chegou a 6,22% no ano passado. No entanto, para quem possui renda mais alta, o avanço ficou bem abaixo deste nível (2,7%).

Esses resultados foram reforçados pelos dados obtidos em dezembro. Para as famílias mais pobres, a inflação ficou em 1,58% no último mês de 2020. Já para as famílias mais ricas, com rendimento superior a R$ 16.509,66, a elevação foi de 1,05%. Ou seja, a diferença entre as duas faixas de renda ficou em 0,53 ponto percentual (p.p.).

“Embora tenha se mantido em dezembro o padrão inflacionário presente nos últimos meses, caracterizado pela aceleração dos preços dos alimentos no domicílio, o reajuste da energia elétrica e a alta nos preços dos serviços livres se revelaram focos de pressão adicionais no orçamento das famílias”, explicou o IPEA em nota. 

Dessa forma, os segmentos que impactaram mais fortemente a renda das famílias mais pobres foram habitação e alimentos. Nesse caso, os seguintes itens figuraram como destaque em dezembro: gás de botijão (2,0%), arroz (3,8%), feijão (3,3%), batata (7,3%) e carnes (5,6%). Ao mesmo tempo, o aumento dos preços em passagens aéreas (28,1%), transportes por aplicativo (13,2%) e gasolina (1,5%) puxaram o avanço do grupo transporte. Assim, este segmento funcionou como o foco inflacionário para as famílias de renda mais alta no período.

 

Inflação acumulada do ano supera a de 2019 para os mais pobres 

O IPEA também informou que a alta acumulada dos alimentos e bebidas pressionou os mais pobres em 2020. No entanto, os dados também mostram que a variação da inflação no ano passado proporcionou alívio às famílias de maior renda. “A diferença entre essas pressões pode ser explicada pelo peso das despesas com alimentos, energia e gás: elas comprometem 37% dos orçamentos mensais nas famílias mais pobres e 15% nas mais ricas. No acumulado do ano, enquanto a inflação das famílias de renda muito baixa teve elevação de 6,2%, o segmento de renda alta registrou uma taxa mais modesta (2,7%)”, explicou o Ipea.

Em suma, o que mais contribuiu para o resultado entre os mais pobres foram as altas acumuladas dos seguintes itens: arroz (76%), feijão (45%), carnes (18%), leite (27%) e óleo de soja (104%), além das tarifas de energia (9,2%) e do gás de botijão (9,1%). Já para os de maior poder aquisitivo, os principais avanços ficaram bem mais tímidos, como o de mensalidades escolares (1,1%) e serviços médicos e hospitalares (14,8%). Além disso, houve retração em itens consumidos majoritariamente por esse grupo, como passagens aéreas (-17%), seguro de automóvel (-8%) e gasolina (-0,2%).

Por fim, segundo o Ipea, o grupo de alimentos possui o maior peso na cesta de consumo das famílias mais pobres. Dessa forma, há uma pressão inflacionária mais acentuada para pessoas desse segmento de renda. Isso porque os que possuem menor poder aquisitivo utilizam uma parcela maior da renda para adquirir alimentos e bebidas. 

 

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