Ibovespa sofre a maior queda diária desde a saída de Moro do governo

Interferências de Bolsonaro na Petrobras marcam dia de perdas

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O Ibovespa não tem o que comemorar nesta segunda-feira (22). O principal índice acionário da bolsa brasileira afundou 4,87% no dia, aos 112.667 pontos. Aliás, este é o pior resultado desde 24 de abril do ano passado, dia em que Sérgio Moro, então ministro da Justiça e Segurança Pública, pediu demissão do governo Bolsonaro (-5,45%). Nesta segunda, a questão política também provocou este resultado, mas, desta vez, com ação direta do presidente Jair.

Em resumo, no último dia 18, a Petrobras anunciou mais uma elevação nos preços da gasolina e do diesel. E Bolsonaro não aceitou bem este aumento, afirmando que algo iria acontecer na estatal, apesar de a mesma possuir autonomia. Assim, ele anunciou na noite da última sexta (19) a troca do presidente-executivo da Petrobras. Com isso, o general Joaquim Silva e Luna assumiria o cargo ocupado por Roberto Castello Branco desde o início do governo, em janeiro de 2019.

Dessa forma, as preocupações dispararam já na última sexta, e, hoje, primeiro pregão após o anúncio, o resultado foi catastrófico. As ações da Petrobras, que responde por 10,27% da carteira de investimentos do Ibovespa, derreteram cerca de 20%. Mas isso não foi tudo. O medo da elevação da ingerência governamental em outras estatais puxou ainda mais papéis do índice para baixo. E, no fim, o resultado foi desastroso.

Vale ressaltar que a Petrobras perdeu R$ 74,2 bilhões em valor de mercado neste pregão, segundo maior recuo diário desde o início do plano Real. Além disso, o presidente Bolsonaro também anunciou na semana passada que haverá mais mudanças na Petrobras e no setor elétrico.

 

Veja mais detalhes da queda do Ibovespa no dia

Em suma, estas foram as notícias mais repercutidas no dia. Também houve alguma atenção para as novas estimativas do mercado financeiro, que elevou pela sexta semana seguida a inflação em 2021. Assim, a projeção superou o centro da meta da inflação pela primeira vez. E os investidores também continuaram direcionando suas atenções para o retorno do auxílio emergencial e a questão fiscal do país, que continua numa situação terrível. Nesse caso, o receio envolve o rompimento do teto de gastos públicos, tido como a âncora fiscal do Brasil atualmente.

No dia, 70 das 81 ações do Ibovespa caíram. Ao todo, entre compras e vendas de papéis, houve a movimentação de R$ 50,4 bilhões no pregão, volume 111% maior que a média diária em 2021 (R$ 25,7 bilhões). E, mais uma vez, a Petrobras puxou este resultado, respondendo pela movimentação de R$ 13,7 bilhões, nível 359% superior à média de giro dos papéis da estatal neste ano.

Assim, as maiores quedas do dia ficaram, sem surpresas, com: Petrobras PN (-21,51%) e Petrobras ON (-20,48%). Em seguida, vieram Banco do Brasil ON (-11,65%), Ultrapar ON (-7,83%) e Via Varejo ON (-7,57%). Nesse caso, o Banco do Brasil sofreu com o receio sobre interferências políticas em sua gestão, em cadeia aos acontecimentos na Petrobras.

Por fim, dentre os raros registros de ganhos no dia, os mais expressivos vieram de: Lojas Americanas PN (19,88%), Embraer ON (7,40%), Cielo ON (4,76%), PetroRio ON (3,71%) e Klabin unit (3,21%). A saber, as Lojas Americanas anunciaram na última sexta (19) que está estudando, junto à B2W, empresa de comércio eletrônico, a fusão de ambas. E isso animou o mercado.

 

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5 Comentários
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  2. […] 2,27%, aos 115.227 pontos. No entanto, acumula perdas de 2,71% na parcial da semana, devido à expressiva queda de 4,87%, puxado pelo derretimento de 20% das ações da Petrobras. Hoje, a estatal disparou no pregão, mas […]

  3. […] de 0,38%, aos 115.668 pontos. No entanto, os dois avanços seguidos não conseguiram reverter a expressiva queda de 4,87% na última segunda (22), provocada pelo derretimento de 20% das ações da Petrobras. Hoje, a […]

  4. […] 0,38%. Já no mês, acumula avanço de 0,48%. Aliás, este resultado não está maior devido à expressiva queda de 4,87% na última segunda (22). No pregão em questão, a Petrobras também exerceu um forte impacto negativo, provocado pelo […]

  5. […] dos 112 mil pontos foi atingido pela primeira vez neste ano na última segunda-feira (22), devido a expressiva queda de 4,87% do índice, provocada pelo derretimento de 20% das ações da Petrobras. Nesta quinta, mais uma […]

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