Ibovespa afunda 4,37% em fevereiro e acumula perda expressiva no ano

Derretimento das ações da Petrobras puxam índice pra baixo no mês

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O Ibovespa iniciou fevereiro com tudo. Na primeira semana do mês, o índice acumulou ganhos expressivos de 4,5%, puxados pela vitória do deputado Arthur Lira (PP) para a presidência da Câmara dos Deputados e do senador Rodrigo Pacheco (DEM) para o Senado Federal. À época, os investidores acreditavam que haveria menos ruídos entre os poderes Executivo e Legislativo, já que o presidente Jair Bolsonaro havia apoiado ambos os recém-eleitos.

No entanto, nas três semanas seguintes, o principal índice acionário da bolsa brasileira reverteu a trajetória ascendente e seguiu ladeira abaixo. Em resumo, na segunda semana, o Ibovespa registrou uma leve queda (-0,68%), mas ainda continuava com um saldo anual positivo (0,35%). Nesse caso, o que puxou o índice pra baixo foram o retorno do auxílio emergencial e o intenso debate interno sobre o valor dos combustíveis.

 

Interferências políticas

Em seguida, a queda da terceira semana (-0,84%), apesar de leve, transferiu a parcial do ano para o campo negativo (-0,49%). E foi nesta semana que os ruídos políticos se intensificaram, com mais uma elevação nos preços da gasolina e do diesel por parte da Petrobras, no dia 18. Por não concordar com a decisão da estatal, o presidente Bolsonaro anunciou no dia seguinte (19) que o general Joaquim Silva e Luna assumiria o cargo de presidente-executivo da Petrobras, dispensando Roberto Castello Branco, que ocupava o posto desde o início do governo, em janeiro de 2019. Assim, o medo da elevação da ingerência governamental em outras estatais puxou o índice ainda mais para baixo.

Após a repercussão negativa envolvendo as interferências na estatal, o governo sinalizou que a mudança na Petrobras não representa um rompimento do “pacto liberal” realizado com o mercado. E, para reforçar isso, o presidente Bolsonaro entregou nesta semana ao Congresso Nacional uma Medida Provisória para a privatização da Eletrobras e o projeto de lei para a privatização dos Correios.

 

Desempenho do Ibovespa na última semana de fevereiro

Com isso, o Ibovespa entrava na última semana do mês com retração de 0,49%. Até que chegou a segunda-feira (22) e o índice sofreu a maior queda diária em cerca de dez meses. Este pregão refletiu toda a apreensão causada pela interferência de Bolsonaro na Petrobras. Isso porque o anúncio da troca de presidente-executivo da estatal ocorreu na noite da sexta (19), após o fechamento da sessão. E, no decorrer da semana, o saldo negativo só cresceu.

A saber, nos dois últimos pregões da semana, o Ibovespa recuou, respectivamente, 2,95% e 1,98%. Os riscos políticos e fiscais, em elevação nos últimos dias, somaram-se ao estresse global com a alta dos rendimentos do Tesouro dos EUA. Essa elevação reforça a previsão de juros mais altos no futuro. Aliás, isso fez as bolsas globais caírem na semana.

Por fim, o Ibovespa encerra esta semana com forte queda de 7,09%. No acumulado de fevereiro, o recuo é menos expressivo (-4,37%). A propósito, o derretimento de 18,95% das ações da Petrobras no mês, em decorrência de interferências políticas, foi a grande razão para esse resultado semanal. Contudo, na parcial de 2021, não há o que comemorar: o índice tem perdas de 7,55%, ou seja, houve recuo nos dois primeiros meses do ano. Agora, é esperar pelas próximas sessões e conferir se o Ibovespa conseguirá reagir.

 

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