Fiocruz divulga novo estudo sobre reinfecções por coronavírus

De acordo com a pesquisa, reinfecções podem vir acompanhadas de sintomas mais fortes.

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A Fiocruz divulgou nesta quarta-feira (07), alguns dos dados já levantados para um estudo sobre reinfecções que será publicado em maio na revista Emerging Infectious Desease (EID), do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC/EUA).

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Os dados preliminares apontaram que em uma primeira exposição onde o indivíduo apresente quadros leves ou assintomáticos, o seu organismo pode produzir uma resposta imunológica insuficiente para se prevenir a novas contaminações, mesmo que seja da mesma variante do vírus.

Desta forma, o levantamento considerou que uma segunda infecção pode ser mais grave do que a primeira e geralmente virá acompanhada de sintomas mais fortes em quem contrair a doença.

O estudo sobre reinfecções desenvolvido pela Fiocruz

O artigo intitulado “Evidência genética e resposta imunológica do hospedeiro em pessoas reinfectadas pelo Sars-CoV-2” é uma parceria entre cientistas da Fiocruz, o Instituto D’Or de Ensino e Pesquisa (Idor) e a empresa chinesa MGI Tech Co.

Entre os principais dados levantados pelos pesquisadores, destaca-se o caso de possível reinfecção pela mesma linhagem do vírus que, quando acometesse a alguém, poderia causar efeitos ainda maiores do que na primeira infecção.

De acordo com o levantamento, isso ocorre devido ao fato de que, na primeira infecção com um quadro mais brando, ou seja, mais leve da doença, a pessoa não teria criado a chamada “memória imunológica” para se prevenir de uma segunda contaminação.

Isso se diferencia de uma contaminação por alguma cepa diferente, por exemplo, ao passo em que, desta forma, o vírus não seria reconhecido de forma alguma pela memória gerada no organismo pelo fato de este apresentar-se como um pouco diferente à pessoa infectada.

Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores monitoraram um grupo de 30 pessoas, entre março de 2020 até o fim do ano, onde foi realizado o sequenciamento do genoma do vírus nas duas infecções e, por fim, comparados para ver se tratavam-se da mesma cepa ou de alguma nova linhagem.

De acordo com o cientista que coordena a pesquisa, Thiago Moreno, do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz):

Essas pessoas só tiveram de fato a imunidade detectável depois da segunda infecção. Isso leva a crer que para uma parte da população que teve a doença de forma branda, não basta uma exposição ao vírus, e sim mais de uma, para ter um grau de imunidade.

E as novas variantes?

Quando perguntado sobre a possibilidade de uma terceira infecção pelo Sars-CoV-2, o pesquisador afirma que isso não é improvável, ao passo em que ainda faltam estudos conclusivos a respeito de quanto tempo pode durar a imunidade pós-Covid, seja para qual variante for.

Para o especialista: “uma pessoa poderia ficar vulnerável a uma nova reinfecção ou mesmo a contrair uma variante diferente” até que ocorra a verdadeira imunidade em seu sistema frente aos novos tipos de coronavírus.

O estudo finaliza afirmando que se pretende a abrir espaço para ser complementado, ampliado.

Que por ter contado com uma amostra de apenas 30 participantes, não representa dados quantitativos o suficiente em níveis científicos, mas, ao mesmo tempo, através de seus resultados obtidos, serve como um alerta para que ocorra mais algum estudo sobre reinfecções.

Em relação ao seu método, o estudo aponta que o sequenciamento do genoma do vírus é a melhor forma para descobrir quais são as variantes que determinado indivíduo já teve em seu organismo e que, a partir deste conhecimento prévio, se torna possível considerar as chances de uma reinfecção pelo coronavírus.

Contudo, este estudo sobre reinfecções surge em um momento onde se percebe, especialmente no Brasil, o surgimento de diversas novas linhagens do vírus, que já foram apontadas por especialistas, como potenciais causadoras para novas ondas de contaminação e mortes por Covid-19 no país.

Desta forma, trata-se de um importante avanço ao mostrar que, mesmo dentro da própria cepa do vírus, o organismo humano ainda pode ser reinfectado mais de uma vez e que, no fim das contas, o mais importante ainda continua sendo se cuidar, evitando a contaminação por qualquer cepa do vírus e aguardando pela sua vez de finalmente tomar a vacina.

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