Eleições 2022: Ex-presidente FHC acredita em terceira via polarizada; entenda

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Em entrevista dada à CNN nessa segunda-feira (21), Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República e presidente de honra do PSDB, defendeu uma terceira via polarizada para 2022. FHC acredita que uma opção neutra não teria força suficiente para fazer frente diante das possíveis candidaturas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo o ex-presidente, um dos polos acabará vencendo se a terceira via for “opaca” demais. “Tem que ser uma coisa que polarize também, que chame atenção para as questões fundamentais do país, inclusive da democracia”, defendeu ele. Sem isso, deve ser impossível convencer o eleitor médio. 

Quando questionado sobre uma possível terceira via levantada pelo PSDB, Fernando Henrique admitiu que o partido estava procurando um nome forte para montar sua liderança nas próximas eleições, mas não pensa em ignorar outras potências políticas que podem aparecer. Para FHC, o importante é fazer um esforço para fortalecer uma terceira via e, se ela não sair do PSDB, receberá apoio mesmo assim. Aliás, durante a entrevista, ele apontou para a importância de outros partidos se unirem para isso.

A CNN também perguntou a FHC sobre a foto publicada há alguns dias pelo ex-presidente Lula após almoço com FHC. Fernando Henrique admitiu que “respeita a força de Lula”, pois “ele sabe se colocar”. Não é uma surpresa que o ex-presidente tenha declarado sua intenção de voto em Lula para 2022, caso o petista enfrente Bolsonaro no segundo turno. “Claro que sou do PSDB, sou presidente de honra e prefiro [o PSDB], mas se o Lula for capaz de se expressar de uma maneira, e não havendo outro, o que eu posso fazer?”, se justificou FHC.

Bolsonaro

FHC já mostrou aversão ao atual governo em outras oportunidades. “É curioso, nunca vi o Bolsonaro. Fui senador, ministro, presidente, nunca vi. Não me lembro dele”. O ex-presidente disse que, no passado, não considerava Bolsonaro uma ameaça, e hoje considera isso um erro. “Eu não ligava pra isso porque ele não existia. Erro meu. Ele existe. Tanto existe que foi presidente, foi eleito, corre o risco de ser reeleito”, disse ele em uma entrevista para a Globo.

Fernando Henrique não acredita que o presidente realmente tenha desejo de derrubar a democracia, mas afirma que as coisas podem se complicar, e que “a dinâmica política pode levar a isso”. De qualquer forma, FHC admite que existe uma grande possibilidade de que Bolsonaro seja reeleito.

Ainda durante a conversa com a CNN, quando Fernando Henrique começou a falar sobre a possibilidade de impeachment, o ex-presidente afirmou que o chefe do Executivo “está se arriscando” e indo para esse caminho.

Por outro lado, FHC diz que não há um movimento político forte o suficiente para impor a pauta do impeachment e que a mobilização popular não será suficiente para levar à queda do presidente.

Mesmo assim, e independentemente de suas opiniões sobre a gestão de Bolsonaro, FHC espera que o governo dele não termine dessa forma. O ex-presidente alega que impedimentos políticos deixam marcas profundas e devem ser evitados.

 

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