Fazendeiros vendem empregados em situação análoga à escravidão em SC

Maioria absoluta dos trabalhadores vieram do Nordeste. Eles eram vendidos como escravos em fazendas de plantação de cebola

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Antes de começar a ler esse artigo, é importante se lembrar: nós estamos em 2020. É que você pode acabar confundindo a situação com um alguma época do passado. Mas aconteceu agora. Fazendeiros da cidade de Ituporanga, em Santa Catarina, estavam vendendo trabalhadores em situação análoga à escravidão.

Essa era uma prática comum no período da escravidão no país. Os donos de engenho costumavam vender os seus escravos como se eles fossem objetos. Mas aparentemente, essa também é uma situação comum em Santa Catarina hoje.

De acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT), só nesta semana uma investigação encontrou 43 trabalhadores nesta situação. Eles estavam trabalhando em uma situação de insalubridade. A maioria, aliás, são trabalhadores do Nordeste.

Começou assim: alguém chegou nas cidades do Nordeste prometendo um salário de R$3 mil para trabalhar na colheita de cebola. Mas chegando lá, esses trabalhadores percebem que caíram em uma cilada. Isso porque os empregadores não pagam esse valor alegando descontos em dívidas.

Tem que pagar os equipamentos do trabalho, os remédios e até a comida e a água que eles consomem. No final das contas, ninguém recebe nada. Nesse caso, três trabalhadores conseguiram fugir e denunciaram a situação. O MPT decidiu agir.

Escravidão moderna

De acordo com o MPT, os empregadores terão que pagar uma indenização por danos morais coletivos. Além disso, eles pagarão todas os salários para os empregados e as verbas das rescisões nos contratos.

Mas não parou por aí. Os empregadores também terão que pagar as despesas dos retornos desses empregados para as suas cidades no Nordeste. Esse caso portanto parece que passou por uma resolução.

Seja como for, ele não é o único. De acordo com uma estimativa do próprio MPT, Santa Catarina deve ter em torno de 500 nordestinos trabalhando nesta mesma situação. Do começo do ano para cá, cerca de 100 já foram encontrados.

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