Estudo na Science relaciona governo Bolsonaro com agravamento da pandemia

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Um novo estudo divulgado nesta quinta-feira (15) pela Revista Science, uma das revistas científicas mais respeitadas do mundo, apontou alguns dos erros do governo Bolsonaro que possibilitaram o agravamento da pandemia em todo o país.

Para a pesquisa, a resposta federal à pandemia tem sido “uma combinação perigosa de inação e irregularidades”, mesmo que o país seja o único do mundo com mais de 100 milhões de habitantes a contar com um sistema público de saúde, que poderia ter diminuído muito os efeitos da pandemia no país.

Além de apontar as ações e omissões do governo Bolsonaro para o agravamento da pandemia, o estudo ainda faz um relato detalhado sobre como se deu o aumento de casos e de mortes ao longo de boa parte do passado, além de projetar que, seguindo nos passos em que caminha, a pandemia está longe de chegar ao fim no Brasil.

O que diz o novo estudo publicado na Science

Em relação aos dados, o grupo de pesquisadores centrou-se naqueles coletados entre a semana epidemiológica 09 (23 a 29 de fevereiro de 2020) e a semana epidemiológica 41 (04 a 10 de outubro de 2020).

Ou seja, não foram considerados os impactos sobre o sistema de saúde e sobre a população referente às novas variantes do coronavírus em circulação no país, ainda que, nas conclusões, os pesquisadores tenham apontado que a variante P.1. já havia surgido enquanto realizavam a pesquisa, porém, não se debruçaram sobre os dados levantados a respeito dela.

Já no início do estudo, lembra-se que o governo federal se opôs às medidas adotadas para conter a disseminação do vírus logo no início da pandemia, ao passo em que se opunha a qualquer medida de isolamento ou distanciamento social.

Com isso, desde o princípio, estas medidas não renderam os frutos que poderiam render. Se comparadas aos níveis de distanciamento de outros países, o estudo mostra a Coreia do Sul, um lockdown bem articulado, entre governos federais, estaduais e municipais, traz uma significativa redução na quantidade de casos e óbitos pela doença.

Usando-se de uma série de cálculos, a pesquisa conduzida por cientistas brasileiros e estadunidenses, rastreou a disseminação do vírus no país e o tempo que foi levado para que se chegasse ao nível de casos e óbitos até o fim da semana epidemiológica analisada e apontou os erros do governo Bolsonaro que propiciaram este crescimento.

Governo Bolsonaro: os erros que levaram ao agravamento da pandemia

Logo no começo, o estudo relembra a intransigente defesa da cloroquina por parte do governo Bolsonaro e lembra que a Organização Mundial de Saúde (OMS) já descartou qualquer eficácia deste medicamento na prevenção ou tratamento da Covid-19.

Em seguida, o novo estudo publicado na Science reforça o impacto sanitário decorrido a partir da divergência política com os governadores estaduais das mais diversas regiões.

A pesquisa relembra que a principal divergência se dava sobre o tema do isolamento social e que, se houvesse uma correta articulação entre os entes executivos sobre este assunto, os efeitos da pandemia poderiam ter sido minimizados no país desde o primeiro momento.

Nas palavras do estudo: “a polarização [entre governo federal e estados] politizou a pandemia com consequências para a adesão às ações de controle”.

Esta falta de articulação fez com que as cidades “abrissem ou fechassem” em momentos distintos, o que também trata-se de um fator que facilita o agravamento da pandemia no sentido de casos e óbitos, na visão dos pesquisadores.

Por fim, o estudo diz que “são imperativas respostas imediatas e equitativas coordenadas em nível federal para evitar a propagação rápida do vírus” e, ainda, alerta: “o fracasso em evitar esta propagação facilitará o surgimento de novas variantes, isolará o Brasil como uma ameaça à segurança da saúde global e levará a uma crise humanitária completamente evitável”.

O estudo passou agora a ser “revisado pelos pares”, ou seja, está sendo lido por outros cientistas que irão estudar os dados apresentados pelos pesquisadores com a finalidade de perceber, após o período analisado, quais foram e são as reais relações entre as atitudes e omissões do governo Bolsonaro que levaram ao agravamento da pandemia no país.

Leia também: Em editorial, The Guardian opina: “Bolsonaro é um perigo para o Brasil e para o mundo”.

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