Espanha tem confrontos em 5ª noite de protestos contra prisão de rapper

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A Espanha teve a quinta noite consecutiva de protestos contra a prisão de um rapper. Os manifestantes pedem a libertação de Pablo Hasél, preso desde o início desta semana. A Justiça condenou o músico a nove meses de detenção por glorificar o terrorismo e insultar a monarquia e a polícia. 

A prisão levantou o debate sobre a liberdade de expressão no país, com manifestações em toda a Catalunha, terra natal do rapper, e em outras cidades espanholas. Em Barcelona, as vitrines das lojas foram destruídas e saqueadas. Além disso, houve confrontos entre os manifestantes e a polícia.

De acordo com a mídia local, cerca de 100 pessoas foram presas depois que manifestantes atiraram garrafas e pedras na polícia. Em resposta, policiais revidaram com cassetetes e disparando balas de borracha. Uma jovem perdeu um olho e ficou cega durante um dos protestos em Barcelona, informaram os jornais espanhóis.

Violência em protesto contra prisão de rapper na Espanha
Espanhóis fizeram barricas nas ruas durantes os protestos contra a prisão de rapper (Foto: reprodução)

Os manifestantes ergueram uma barricada na rua na noite de sábado (20) na cidade. Eles incendiaram lixeiras e veículos, assim como a bolsa de valores de Barcelona. As cenas foram repetidas nos últimos dias em outras cidades, como em Girona, outra cidade catalã, onde manifestantes quebraram as janelas de três bancos na última sexta-feira (19).

A questão da sentença do rapper Hasél gerou uma disputa política dentro da coalizão governamental. O primeiro-ministro, Pedro Sanchez, do Partido Socialista, condenou a violência, enquanto líderes de partidos parceiros da coalizão expressaram apoio aos manifestantes.

Manifestantes quebraram vitrines e saquearam lojas na quinta noite de violência em Barcelona, após prisão de rapper (Foto: reprodução)

O rapper opositor da monarquia espanhola

Pablo Hasél, cujo nome verdadeiro é Pablo Rivadulla Duró, tem 33 anos, é comunista e grande defensor da independência catalã. No passado, ele também disse ser a favor do ETA, o grupo terrorista e separatista do País Basco, agora dissolvido.

Então, um tribunal com sede em Madri condenou Hasél a nove meses de prisão por crimes de incitação ao terrorismo e insultos contra a Coroa e as instituições. Além disso, foi condenado a seis anos de “incapacitação” – que implica a suspensão de certos direitos – e ao pagamento de multa de 30 mil euros.

O rapper escreveu vários tweets ofensivos contra a polícia e a monarquia, dizendo, por exemplo, que “por causa da Arábia Saudita, as crianças no Iêmen sofrem bastante. Coisas típicas dos amigos democratas daqueles mafiosos Bourbon”, referindo-se à família real espanhola. 

Como prova contra Hasél, a acusação também trouxe o vídeo da canção “Juan Carlos el Bobón” (Juan Carlos, o idiota). Em resumo, no texto da música, o rapper estava furioso com o rei Juan Carlos I e o governo espanhol, acusado de ter laços com a ditadura saudita.

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