Entregadores de aplicativos iniciam greve nacional hoje

O entregadores de aplicativos querem aumento das taxas mínimas recebidas por cada corrida e mais transparência no funcionamento dos serviços

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Nesta quarta-feira (1º), os entregadores de aplicativos iniciam uma greve nacional por melhores condições de trabalho, medidas de proteção contra os risco de infecção pelo novo coronavírus e mais transparência na dinâmica de funcionamento dos serviços e das formas de remuneração.

Trabalhadores das empresas Rappi, Loggi, Ifood, Uber Eats e James participam da paralisação.De acordo com os organizadores, o movimento foi construído por meio da interlocução por grupos na internet. Contudo, algumas entidades também participam da greve, como associações de entregadores e de motofrentistas.

Reivindicações

Em suma, os entregadores cobram o aumento das taxas mínimas recebidas por cada corrida e o valor mínimo por quilômetro. Atualmente, eles são remunerados por corrida e pela distância percorrida, e por isso esses dois indicadores acabam definindo o pagamento por cada entrega.

A principal reclamação dos trabalhadores são os baixos valores e a variação deles para baixo. Outra reivindicação é a mudança dos bloqueios dos trabalhadores, que consideram arbitrários.

Além disso, eles criticam o fato de motoristas terem sua participação suspensa ou até mesmo cancelada a partir de critérios não claros, e sem a possibilidade de apuração dos ocorridos e de direito de defesa dos envolvidos.

Por isso, os entregadores questionam a falta de transparência das plataformas, que não deixam claras as formas de cálculo dos pagamentos e os critérios utilizados para a suspensão das contas dos trabalhadores.

Até o momento, os entregadores de aplicativos disseram que não tiveram retorno das empresas de entrega sobre suas demandas. Enquanto isso, as companhias vêm divulgando ações na mídia e aos seus usuários.

Entregadores de aplicativos

De acordo com um estudo de sete pesquisadores, mais da metade dos entregadores de aplicativos (54%) trabalham entre nove e 14 horas por dia. Este índice aumentou para 56,7% durante a pandemia. Entre os ouvidos, 51,9% relataram trabalhar todos os dias da semana.

A pesquisa foi publicada na revista Trabalho e Desenvolvimento Humano e realizada neste ano em 29 cidades.

Além disso, cerca de metade dos entrevistados (47,4%) recebia até R$ 2.080 por mês e 17,8% disseram ter rendimento de até R$ 1.040 por mês. Entretanto, a maioria dos participantes do levantamento (58,9%) teve queda da remuneração durante a pandemia.

Por outro lado, houve um aumento do número de entregadores como alternativa de pessoas que perderam renda neste período. Mas, apesar do aumento de entregas, os valores de hora/trabalho ou bonificação caíram. Nesse sentido, 57,7% declararam não ter recebido nenhum apoio das empresas durante a pandemia para mitigar riscos. Assim como 42,3% disseram ter tido algum tipo de auxílio, como equipamentos de proteção e orientações.

Por fim, 96% adotaram algum tipo de medida de proteção, como uso de álcool em gel e máscaras.

Investigação

Os aplicativos de entrega estão sendo investigados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) há alguns anos. Foram ajuizadas ações civis públicas para reconhecimento do vínculo de emprego nas companhias Loggi e Ifood, e outras estão em fase de apuração. Até o momento, essas ações não foram julgadas.

Em março, MPT apresentou recomendações a empresas de aplicativos com diretrizes e ações a serem ofertadas aos trabalhadores. O objetivo é garantir condições adequadas e evitar infecção pelo novo coronavírus.

Entre as recomendações estão: a oferta de informações claras sobre as regras trabalhistas e medidas de proteção diante da pandemia; respeito às medidas sanitárias das autoridades de saúde internacionais, nacionais e locais; distribuição de equipamentos necessários à proteção e desinfecção, com fornecimento de insumos em pontos designados e amplamente divulgados; garantia de espaço de higienização dos veículos; além de estimular ações de proteção como evitar contato físico, higienizar as mercadorias entregues e assegurar lugares seguros na retirada dos pacotes.

(com informações da Agência Brasil)
1 comentário
  1. […] anunciarem greve (veja aqui), os entregadores de aplicativos se reuniram na tarde desta quarta-feira (1 º de julho). A […]

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