Entidade critica compra de vacinas contra Covid-19 por empresas: “Não há vacina no mercado”

SBIm avalia que compra por empresas privadas pode gerar desigualdade no mercado

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Em entrevista ao portal UOL, o médico e presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), Juarez Cunha, criticou a compra de vacinas contra Covid-19 por empresas privadas no Brasil.

Segundo Cunha, a prioridade deve ser o Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, que distribui doses de imunizante gratuitamente para todos os brasileiros através do SUS (Sistema Único de Saúde).

“A prioridade de termos vacinas no Brasil tem que ser para o Programa Nacional de Imunização. Qualquer movimento que possa impactar isso não é um movimento bem-vindo”, disse o presidente da SBIm ao UOL.

A Câmara dos Deputados, por outro lado, aprovou o texto-base do Projeto de Lei 948/21, que autoriza a compra de vacinas contra Covid-19 por empresas privadas que queiram imunizar os próprios funcionários.

Na avaliação de Juarez Cunha, não há vacina suficiente no mercado e a aprovação do projeto aumentaria a competição pelos imunizantes, o que prejudicaria as compras do próprio governo federal.

“Se os governos não estão conseguindo comprar, por que as empresas conseguiriam? Se um determinado laboratório não ofereceu um imunizante para um programa nacional de imunizações, mas oferece para uma empresa, significa que tem alguma coisa mais importante, como a possibilidade de valores mais altos.”, analisa Cunha.

“Se houver algum laboratório que venda doses para empresas privadas, vai ser uma competição com o nosso PNI, e isso vai reforçar a desigualdade”, completa.

Compra de vacinas contra Covid-19 por empresas pode causar problemas

O presidente da SBIm também aponta que a compra de vacinas por empresas privadas brasileiras pode causar um problema diplomático ao país, pois prejudicaria a aquisição de imunizantes contra Covid-19 por outros países. “Vacinarmos grupos não prioritários de forma privada antes de outros países não seria um movimento ético.”

Apesar do debate estar em pauta hoje no Brasil, o médico acredita que, mesmo aprovado o projeto de lei, dificilmente as empresas vão conseguir comprar vacinas antes que os programas nacionais de imunizações sejam contemplados.

Grandes laboratórios, como Pfizer, AstraZeneca, Janssen, Butantan e Fiocruz, por exemplo, já disseram que só irão vender doses aos governos federais.

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