Entenda as razões das recentes quedas do Ibovespa

Índice sofre com risco fiscal elevado, avanço da Covid-19 e incertezas com vacinação

1

O Ibovespa até começou o ano de 2021 bem, batendo recordes de fechamento seguidos e até superando a marca dos 125 mil pontos pela primeira vez no último dia oito. No entanto, parece que isso ficou realmente no passado. De lá pra cá, entre altos e baixos, o principal índice da bolsa brasileira não conseguiu se recuperar, e hoje está quase oito mil pontos abaixo de sua máxima histórica de fechamento.

A razão para essa retração está entrelaçada à pandemia da Covid-19. Há um movimento de despesas, uma puxando a outra, num ciclo que parece não ter fim. Em resumo, a crise sanitária, decretada em março do ano passado, vem forçando o governo federal a gastar bilhões em seu enfrentamento. Como a pandemia afetou diversos setores econômicos, o Brasil sofreu retração do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020. E, para dar subsistência aos setores e pessoas mais vulneráveis do país, o governo disponibilizou diversos programas financeiros, como o auxílio emergencial. Dessa forma, não produziu o que poderia e gastou muito mais do que tinha.

Nesse cenário, a dívida pública brasileira alcançou níveis alarmantes, superando 90% do PIB do país. Por isso mesmo, o risco fiscal não sai do radar dos investidores. Vale ressaltar que, desde 2014, há o chamado déficit primário. Em suma, isso acontece quando o país gasta mais do que arrecada com impostos. E, em 2020, as despesas do governo federal aumentaram consideravelmente devido a pandemia.

 

Ibovespa sofre com Covid-19

Ao mesmo tempo que tudo isso acontece, a Covid-19 continua avançando no país. Os estados brasileiros vêm aumentando as restrições para tentar conter a crise sanitária. Por exemplo, São Paulo está na fase vermelha, a classificação mais restritiva, todos os dias a partir das 20h. Isso acontece devido à análise de técnicos de saúde do estado, que estimam um crescimento considerável de casos nos próximos dias devido às reuniões nas festas de fim de ano. Já em Manaus, que vive o pior momento da pandemia, há crise de oxigênio, com diversas pessoas morrendo asfixiadas, e suspensão da vacina contra a Covid-19 por causa de irregularidades nas aplicações.

Por falar em vacina, ela requer mais rapidez em sua produção e distribuição, bem como na sua aplicação nas pessoas. Contudo, o aumento nas infecções e mortes acontece num momento de dificuldades com os imunizantes. No Brasil, há poucas milhões de doses disponíveis, para uma população que supera os 200 milhões. A saber, cada pessoa deve tomar duas doses do imunizante, mas os problemas envolvendo insumos para a fabricação das vacinas vêm atrasando o cronograma. E, não há como falar em retomada econômica se não houver controle da crise sanitária.

O resultado de tudo isso é uma cautela elevada dos investidores, que evitam ativos de risco. A previsão de rombo nas contas do governo federal em 2020 chega a RS 880,5 bilhões, superando em mais de sete vezes a meta definida para o ano. Assim, não há motivos reais para aplicar dinheiro em um país que anda completamente mal das pernas. E é isso o que está sendo visto nos últimos pregões do Ibovespa.

 

LEIA MAIS

Dólar sobe 2,17%, com maior valorização diária em quatro meses

Ibovespa cai pelo quarto pregão seguido e afunda 2,47% na semana

Leia Também:

1 comentário
  1. […] Entenda as razões das recentes quedas do Ibovespa […]

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.