Empresa tentou levar proposta de 400 milhões de vacinas a Bolsonaro

Os representantes da empresa Davati no Brasil, Cristiano Carvalho e Luiz Paulo Dominghetti Pereira queriam se encontrar com Bolsonaro

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Jair Bolsonaro (sem partido). Esse era o foco dos representantes da empresa Davati no Brasil, Cristiano Carvalho, e o agente da Polícia Militar (PM), Luiz Paulo Dominghetti Pereira. Ambos tinham o desejo de marcar uma conversa com o chefe do Executivo a fim de tratar sobre o tema vacinas contra a Covid-19.

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Na conversa, os dois pretendiam oferecer ao presidente a proposta de venda de 400 milhões de doses de vacina AstraZeneca. De acordo com áudios encontrados no celular de Dominghetti, a ponte para esse encontro estaria sendo feita pelo reverendo Amilton Gomes de Paula, presidente da Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah).

Nas gravações, constata-se que Cristiano e Dominghetti estavam articulando uma conversa com Bolsonaro para levar a proposta que eles estavam negociando com o Ministério da Saúde. Segundo as informações reveladas pela “Globo News”, nesta quinta-feira (08), os áudios foram feitos no dia 13 de março.

“Dominghetti, agora nós precisamos aí…O reverendo [Amilton] tá falando que tá marcando um café da manhã com o presidente amanhã às 10h, 9h, sei lá eu, que vai ter um café com os líderes religiosos. A gente vai entrar no vácuo, tá? Agora tem que fazer ele confirmar isso aí pra gente colocar uma pulguinha atrás da orelha do… Do presidente, tá?”, disse Cristiano em um dos áudios.

Na sequência, Dominghetti envia um áudio para Cristiano. Surpreso, ele afirma que não sabia que teria esse encontro com Bolsonaro e que tinha apenas a informação de que membros do Ministério da Saúde estavam trabalhando firme para que o negócio desse certo.

“Cristiano, o que eles me falaram, eu nem sabia que ia ter agenda com o Bolsonaro, você que me falou, o que eles me falaram é assim, que estão atuando fortemente lá, que agora depende do presidente, ele não marca agenda, ele fala assim vem aqui agora. Então, assim, de uma forma mais urgente. Agora, para falar com ele em agenda, eles conseguem marcar segunda, terça, quarta, porque aí entra na agenda oficial”, disse Dominghetti.

Em outro momento, o agente da PM afirma que membros do Ministério da Saúde estavam tentando fazer com que Bolsonaro recebesse Cristiano de maneira extraoficial, por conta da urgência.  “O que eles estão tentando é que o presidente te receba de forma extraoficial, entendeu, devido à urgência. É o que eles estão tentando. Agora agenda oficial eles conseguem marcar, o que estão tentando é uma agenda extraoficial”, afirmou.

Reunião com Bolsonaro não aconteceu

No dia seguinte ao áudio, 14 de março, domingo, não havia agenda oficial do presidente. Um dia depois, Bolsonaro se reuniu com líder religiosos. Já no dia 16, Cristiano mandou um áudio para Dominghetti afirmando que acreditava que o encontro com o chefe do Executivo não aconteceria mais, pois ele não acreditava no poder do reverendo para marcar a audiência.

“O reverendo tá me dizendo aqui que falou com o pastor Malafaia, que até 10h chega a resposta e tal, mas, as coisas que o reverendo fala não dá pra acreditar em nada. Tá que nem o… da H1N1, cara… que é segunda, é quarta, terça, segunda, sexta… ai meu Deus do céu, tá louco”, disse Cristiano.

De acordo com Amilton Gomes de Paula, ele realmente conversou com Cristiano Carvalho e Luiz Paulo Dominghetti sobre a venda de vacinas para o Ministério da Saúde. Todavia, ele afirma que não chegou a tratar do assunto com Bolsonaro e que acabou não comparecendo à reunião do presidente com religiosos no dia 15 de março. Ouça o áudio:

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