DOSTOIÉVSKI – Análises e todas as obras digitais para baixar (PDF)

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O realismo psicológico é a descrição dos traços de personalidade dos personagens, destacando-se seus pensamentos mais íntimos. Portanto, muitas vezes os conflitos e dramas mentais desenvolvem-se para situarem-se as relações humanas. Desta forma, surgiu o grande escritor literário conhecido como Dostoiévski. Mergulhar na psique de um personagem ocasionou ao afastamento do romantismo da época, dando origem a uma nova literatura.

Quem foi Dostoiévski?

Filho de descendentes italianos, Dostoiévski nasceu em 1821, em Moscou. Ele se capacitou em engenharia antes de escrever seu primeiro romance, Gente Pobre (1846). Em suma, a obra aborda temas como a condição mental e material da pobreza humana.

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski foi um escritor e filósofo russo, considerado um dos maiores romancistas da história e um dos mais inovadores artistas de todos os tempos. É tido como o fundador do existencialismo, mais frequentemente por Notas do Subterrâneo, descrito por Walter Kaufmann como a “melhor proposta para existencialismo já escrita”.

Sua última obra, Os Irmãos Karamazov, foi considerada por Sigmund Freud como o melhor romance já escrito. Perigoso, segundo Josef Stálin, até 1953 o currículo soviético para estudos universitários sobre o escritor o classificava como “expressão da ideologia reacionária burguesa individualista”. Segundo ele mesmo, seu mal era uma doença chamada consciência.

Em 1849, Dostoiévski foi preso por fazer parte do Círculo de Petrashévski, um grupo intelectual socialista. Então, depois de ser atormentado com uma falsa execução diante de um pelotão de fuzilamento, fora forçado a trabalhar muitos anos na Sibéria, onde passou a sofrer de epilepsia. Após a morte de sua primeira esposa, casou-se em 1867, com Ana Grigórievna Snítkina, que atuava como secretária da família. Morreu em 1881, devido à uma enorme desolação de doenças.

Uma exposição aprofundada da psicologia

Em sua obra mais conhecida (Crime e Castigo), Dostoiévski apresenta ao leitor um anti-herói: O estudante Rodka. O autor disseca as motivação psicológicas do personagem insinuando temas de Sigmund Freud e vários outros. Portanto, essa abertura de mente garante à obra ser considerada uma das mais importantes do século XIX.

Dostoiévski: crime o castigo.

A história começa em uma noite quente em São Petersburgo, na Rússia. Raskólnikov, um jovem malvestido, sai de seu minúsculo quarto e decide escapar do calor e desconforto de sua cidade. O personagem se encontra desorientado, faminto e perturbado pela presença de outras pessoas. Então, Dostoiévski aproxima seus leitores de toda a angústia e pensamentos íntimos presentes na mente de Rodka.

Ele é obrigado a penhorar o relógio de seu pai por um preço miserável, atormentado com sua pobreza e lutando para sobreviver. No caminho de sua volta, para em uma taberna e pede uma cerveja, mesmo que o protagonista não esteja bem , diz que aquela ação lhe acalma: “sentiu-se melhor, seus pensamentos tornaram-se claros”. Enquanto conversa com um homem bêbado, assume todas as suas aflições: a prostituição da filha, a fome e o alcoolismo.

No dia seguinte, permanece preso em seu quarto e planeja um assassinato: Deseja matar a penhorista Alíona Ivanovna. Com isso, Dostoiévski leva o leitor à mente de Raskólnikov de modo empático e tangível. Portanto, sente-se o terror, tornamo-nos testemunhas de sua dor. Rodka até mesmo acredita que todos os homens honrados são capazes de cometer um assassinato, tudo vale se isso servir à nossa causa. Em suma, o crime ocorrido demonstra totalmente os contextos sociais da época: ascensão do materialismo histórico e inclinações para uma sociedade revolucionária.

E então, a culpa renasce das cinzas?

Durante a leitura nos deparamos com o personagem totalmente desorientado pela sua culpa: Encontra Porfiry, um detetive que o considerava culpado pelo crime, contudo, não encontra meios de provar sua suspeita. Portanto, ele se encontra com os nervos em fragalhos. Contudo, seriam a confissão e a força da lei preferíveis á tortura de sua consciência?

A poderosa exploração sobre o significado da vida em um mundo de horror e aniquilações: a obra disseca sobre a complexa natureza da mente humana. Em suma, escritores e filósofos como Jean-Paul Sartre e Albert Camus se baseiam à esta estonteante narrativa tempos depois.

O idiota – Dostoiévski

Se você já sentiu que não há bondade suficiente no mundo, então certamente é hora de ler O Idiota. O personagem principal, Myshkin, é um homem gentil e bondoso, preso a um mundo imperfeito com pessoas cínicas e desonestas. Epiléptico, ele acaba de voltar de um tratamento na Suíça. A compaixão do protagonista chega a espantar o leitor, que começa a se perguntar aquilo que é um dos maiores dilemas da humanidade: vale a pena ser bom?

O idiota - Dostoiévski

Nesta sociedade, o protagonista dialoga de modo simples, de um lado, com a grande sociedade composta de pessoas elegantes, o mundo dos ricos, poderosos e conservadores; e, de outro lado, com a fúria dos jovens anarquistas e niilistas com sua inexorável hostilidade. Contudo, nesse tiroteio, o príncipe está sempre sozinho, exposto ao fogo de ambos. Sozinho, aceita a afronta e está sempre pronto a carregar toda a culpa, mas ele sem querer acaba pisando no pé de todos. Então, todos possuem ressentimentos comuns uns contra os outros, estão unidos na escuridão.

O cristianismo e ateísmo abordados em O Idiota.

“- Uma fé não cristã, em primeiro lugar – tornou a falar o príncipe com uma inquietação extraordinária e com uma nitidez fora da medida. – Isso em primeiro lugar; em segundo, o Catolicismo romano é até pior do que o próprio ateísmo, é essa a minha opinião! O ateísmo também prega o nada, mas o Catolicismo vai além: prega um Cristo deformado, que ele mesmo denegriu e profanou, um Cristo oposto! Ele prega o anticristo, eu lhe juro, lhe asseguro! Esta é uma convicção minha e antiga, e ela mesmo me atormentou…O Catolicismo romano acredita que sem um poder estatal mundial a Igreja não se sustenta na Terra e grita: “Non possumus”.

A meu ver, o Catolicismo romano não é nem uma fé mas, terminantemente, uma continuação do Império Romano do Ocidente, e nele tudo está subordinado a esse pensamento, a começar pela fé. O papa apoderou-se da Terra, do trono terrestre e pegou a espada; desde então não tem feito outra coisa, só que pela espada acrescentou a mentira, a esperteza, o embuste, o fanatismo, a superstição, o crime, brincou com os próprios santos, com os sentimentos verdadeiros, simples e fervorosos do povo, trocou tudo, tudo por dinheiro, pelo vil poder terrestre.

Isso não é uma doutrina anticristã?! Como o ateísmo não iria descender deles? O ateísmo derivou deles, do próprio Catolicismo romano! Antes de mais nada o ateísmo começou deles mesmos; poderiam eles crer a si mesmo? Ele se fortaleceu a partir da repulsa a eles; ele é produto da mentira e da impotência espiritual! Ateísmo! Em nosso país como Ievguiêni Pávlovitch se exprimiu magnificamente por esses dias, sói quem não acredita são ainda castas exclusivas que perderam raízes; mas lá na Europa, já existem massas terríveis do próprio povo que não creem – antes era sobretudo pelo obscurantismo e pela mentira, e agora já é por fanatismo, por ódio a Igreja e ao Cristianismo!” (pg 605, pg 606)

Sonho de um homem ridículo: A imagem do niilismo.

A obra aborda o vazio existencial em que o personagem deseja que o mundo acabe, nada mais faz sentido nas próprias ações, e nas ações das pessoas, e então, surge a escapação: o suicídio.

Em uma noite longa, quando ele tem a certeza e a coragem para se suicidar, uma menina pede-lhe ajuda, e então, o personagem se sente tocado por aquela imagem. Contudo, como ele poderia sentir compaixão pela criança, se ele não se importava com absolutamente nada?

Ao chegar em seu apartamento, o protagonista afunda-se em uma cadeira e coloca a sua arma na mesa. Ele hesita em atirar-se devido a uma sensação incômoda de culpa que o atormentava desde que ele se desviava a criança, negando-a auxílio. O personagem lida com questões internas por algumas horas e então adormece. Ao dormir, ele tem um sonho profundo e conclusivo sobre sua situação.

O que acontece no sonho?

No sonho, o protagonista atira em seu próprio coração. Ele morreu, contudo, ainda está consciente de seu entorno. Reúne-se a existência de um funeral e também se encontra enterrado. Após um período de tempo em seu túmulo frio, a água começa a escorrer para baixo em suas pálpebras. De repente, sua sepultura é aberta por uma figura desconhecida e obscura. Após isso, o resgatam e, em seguida, os dois voam pelo céu e espaço. Depois de voar por um longo tempo, o narrador é depositado em um planeta muito parecido com a Terra, mas não a Terra que ele deixara por suicídio.

A mentira em um mundo de bondade

O personagem é colocado especificamente no que parece ser na literatura judaico-cristã, a terra antes da queda adâmica, ou uma idílica ilha grega. Resumidamente, os habitantes da ilha o encontram, eles estão felizes, contentes como pessoas sem pecado. O protagonista vive nesta utopia, o tempo todo impressionado com toda a bondade ao seu redor. Portanto, todos os homens vivem em união, compaixão, e amando-se uns aos outros.

Um dia, o narrador começa a ensinar aos outros habitantes a mentira. As mentiras geram orgulho, e o orgulho gera uma avalanche de muitos outros pecados. Com isso, o primeiro assassinato ocorre. As facções são feitas, as guerras começam a serem travadas. A ciência suplanta a emoção, os membros da antiga utopia são incapazes de lembrar da sua felicidade anterior. E então, o protagonista se invoca contra o povo, ele implora por perdão, o que não ocorre. Antes era um paraíso, agora a terra está totalmente desolada, cheia de mortes e crimes: os homens presos em uma enorme escuridão.

Em suma, ele acorda, um homem mudado, completamente grato pelo dom da vida. O personagem compreende que sua principal lição na terra é a de amar aos outros como a si mesmo, sem espalhar o individualismo.

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Os Irmãos Karamazov – Fiodor Dostoiévski: Clique aqui.

Crime e castigo: Clique aqui.

O idiota: Clique aqui.

Notas do subsolo: Clique aqui.

Gente Pobre: Clique aqui.

A Aldeia de Stiepantchikov e Seus Habitantes: Clique aqui.

Contos: Clique aqui.

Sonho de um Homem Ridículo: Clique aqui.

Humilhados e Ofendidos: Clique aqui.

O Eterno Marido: Clique aqui.

Noites brancas: Clique aqui.

Os Demônios: Clique aqui.

Trechos de Dostoiévski

“A falta de liberdade não consiste jamais em estar segregado, e sim em estar em promiscuidade, pois o suplício inenarrável é não se poder estar sozinho.” – Recordações da Casa dos Mortos

“Deste modo, tenho de proclamar a minha incredulidade. Para mim não há nada de mais elevado que a ideia da inexistência de Deus. Em suma, o Homem inventou Deus para poder viver sem se matar.” -O Idiota

“Acontece que a mágoa verdadeira e indiscutível é às vezes capaz de tornar grave e resistente até um homem fenomenalmente fútil.” -Os Possessos

“É como na religião: quanto pior vive um homem ou quanto mais desamparado ou mais pobre é todo um povo, mais obstinadamente ele sonha com a recompensa no paraíso!” – Os Possessos

Eu não me ajoelhei diante de ti, mas diante de toda a dor humana.

“Os criadores e os génios, no início da sua carreira, quase sempre, e muitas vezes até no fim, em suma, sempre foram considerados pela sociedade como uns parvos e uns loucos — é esta uma das observações mais triviais e sabidas.” – O Idiota

“Sou filho da descrença e da dúvida, até ao presente e mesmo até à sepultura. Que terrível sofrimento me causou, e me causa ainda, a sede de crer, tanto mais forte na minha alma quanto maior é o número de argumentos contrários que em mim existe! Nada há de mais belo, de mais profundo, de mais perfeito do que Cristo. Não só não há nada, mas nem sequer pode haver.” – Cartas pessoais.

“O sofrimento acompanha sempre uma inteligência elevada e um coração profundo. Os homens verdadeiramente grandes devem, parece-me portanto, experimentar uma grande tristeza.” —  Fiódor Dostoiévski, livro Crime e Castigo.

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1 comentário
  1. GUILHERME MAGGIO MAQUIAVEL Diz

    OBRIGADO POR PROPORCIONAR ISSO, TODAVIA, PEÇO COM A DEVIDA LICENÇA QUE ACEITE A MINHA SOLICITAÇÃO, EU QUERO BAIXAR TODAS ESSAS OBRAS PRA LER, PORQUE NÃO TENHO CONDIÇÃO DE COMPRAR, DESDE JÁ, AGRADEÇO.

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