Dólar opera perto da estabilidade em meio a riscos fiscais e políticos

Retorno do auxílio emergencial e interferências políticas em estatais continuam no radar

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O dólar americano está operando perto da estabilidade nesta terça-feira (23), sem grandes oscilações. E isso acontece em meio a riscos fiscais e políticos da cena doméstica. Em primeiro lugar, o retorno do auxílio emergencial continua no radar dos investidores, que temem uma piora da saúde fiscal do Brasil, já bastante fragilizada. Ao mesmo tempo, interferências políticas em estatais do país preocupam os operadores.

Em resumo, no último dia 18, a Petrobras anunciou mais uma elevação nos preços da gasolina e do diesel. E Bolsonaro não aceitou este aumento, afirmando que algo iria acontecer na estatal, apesar de a mesma possuir autonomia. Assim, ele anunciou na noite da última sexta-feira (19) a troca do presidente da Petrobras. Com isso, o general Joaquim Silva e Luna assumiria o cargo ocupado por Roberto Castello Branco desde o início do governo, em janeiro de 2019. Tudo isso vem preocupando os investidores, que temem interferências diretas do governo na Petrobras.

Aliás, a estatal perdeu mais de R$ 72 bilhões em valor de mercado nas poucas horas desta segunda-feira, segundo levantamento da Economatica. A propósito, no último pregão (19), a Petrobras já havia encolhido R$ 28 bilhões. Assim, a estatal caiu do patamar de R$ 383 bilhões, na última quinta (18), antes de toda esta crise estourar, para R$ 283 bilhões. Isso representa uma queda fenomenal de 25% em menos de dois dias úteis.

Vale dizer que, além da troca do presidente da companhia, Bolsonaro anunciou que haverá mais mudanças na Petrobras, bem como no setor elétrico. E todas essas interferências reduzem a confiança do país.

 

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Por volta das 12h10, o dólar comercial avançava 0,18%, cotado a R$ 5,4646. Nesta terça, os preços do petróleo operam em alta próxima a 1%, após a forte disparada de quase 4% no pregão de ontem (22).

Por fim, não há como esquecer os riscos fiscais do Brasil. O retorno do auxílio emergencial, já tido como certo, coloca em risco ainda mais elevado a saúde fiscal do país, que está mal das pernas há tempos. O que preocupa, nesse caso, é o teto de gastos, tido como a âncora fiscal do país atualmente. O receio envolve o impacto que estas novas rodadas do benefício causarão nos cofres públicos. E, claro, qual mágica precisará ser feita para que as despesas caibam dentro do teto de gastos, sem pedaladas fiscais ou excepcionalidades.

 

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