Dólar opera em queda, pressionado por otimismo externo

Riscos internos sobre a pandemia e a questão política repercutem na sessão

0

O dólar comercial opera em queda nesta terça-feira (6), devido ao otimismo vindo do exterior. No dia, investidores continuam com os ânimos elevados por causa da divulgação de dados econômicos dos EUA e da China, que indicam uma forte recuperação das maiores economias globais. Por outro lado, o agravamento da pandemia da Covid-19 no Brasil continua preocupando o mercado, bem como os riscos políticos e fiscais que estão cada vez mais fortalecidos e evidentes.

Por volta das 10h50, o dólar caía 0,63%, cotado a R$ 5,644. Isso aconteceu devido à repercussão de dados divulgados pelo Departamento do Trabalho dos EUA, o payroll, na semana passada. De acordo com o relatório, o mês de março chegou registrou a criação de 916 mil novos postos de trabalho no país. Isso fez a taxa de desemprego nos EUA recuar de 6,2% para 6%, atingindo o melhor resultado mensal desde agosto do ano passado.

Isso aconteceu por dois principais motivos: vacinação contra a Covid-19 e estímulos para a economia norte-americana. No primeiro caso, já houve a administração de cerca de 143 milhões de doses no país. Com isso, 16% da população já foi totalmente vacinada, incluindo quase 50% das pessoas com mais de 65 anos.

Já em relação aos estímulos fiscais, vale mencionar o pacote de US$ 1,9 trilhão aprovado há algumas semanas para o enfrentamento dos impactos provocados pela pandemia da Covid-19. Além disso, na última quarta (31), houve a divulgação de mais uma proposta para infraestrutura do país, no valor de US$ 2,3 trilhões.

Na China, a atividade fabril do país mostrou recuperação em março com aumento das exportações. Ao mesmo tempo, o índice mensal de manufatura do país também subiu em fevereiro, indicando expansão da atividade industrial. Em resumo, isso indica recuperação da segunda maior economia do mundo.

 

Riscos internos limitam queda do dólar

No cenário interno, os riscos políticos preocuparam, uma vez que os investidores ainda repercutem o Orçamento da União para 2021. Em suma, o texto aprovado no Congresso Nacional extrapola o teto de gastos. E, para respeitar este teto, o governo precisaria parar de prestar determinados serviços públicos. Caso haja o furo do teto, pode haver também implicação ao presidente Jair Bolsonaro de cometimento de crime de responsabilidade, a chamada pedalada fiscal.

Além disso, o agravamento da pandemia da Covid-19 no país preocupa todo o mundo. A saber, a crise sanitária continua superando recordes de casos e mortes quase diariamente. Os hospitais permanecem lotados, com filas enormes de pacientes esperando por um leito de enfermaria ou UTI, sem contar na escassez de insumos e equipamentos médicos. Enquanto isso, a vacinação segue num ritmo muito mais lento que o da própria disseminação do vírus.

Por fim, o mercado financeiro manteve a projeção da inflação para 2021 em 4,81%. Segundo o Boletim Focus do Banco Central (BC), divulgado ontem (5), os analistas elevaram a projeção para o dólar, que deve encerrar o ano cotado a R$ 5,35. Por outro lado, a previsão para o PIB recuou novamente, de 3,18% para 3,17%.

 

Leia Mais: Preços do petróleo afundam com aumento da produção da Opep+

Leia Também:

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.