Direita e Esquerda: A dicotomia que destrói o Brasil e alimenta o erro.

É inimaginável e inaceitável conceber uma ideia de democracia sem a existência de opostos, contudo, a dicotomia política no Brasil está além dessa oposição de ideias que é tão salutar numa sociedade democrática. 

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Quando retornou ao país em 1989 com as primeiras eleições livres após um longo período de regime ditatorial, a “Democracia” passou a ser vista por muitas pessoas como a expressão de esperança num país melhor, de uma sociedade mais justa, desenvolvida e principalmente livre. Esse ideal de mudança era refletido no olhar da juventude, nas produções artísticas, principalmente nas letras das músicas que cantavam a liberdade e dias melhores para o Brasil, e também na própria comunidade internacional que acreditava na possibilidade do país caminhar a passos largos rumo a cidadania plena, na superação das desigualdades e no fortalecimento de suas instituições. 

Após mais de três décadas desse marco histórico que foram as eleições livres de 1989, o país avançou bastante em muitas áreas, porém em outras, além de não ter avançado se encontra num estado de paralisia coletiva que tem estagnado o país e impedido seu verdadeiro desenvolvimento. Trata-se da divisão política miúda e infrutífera que assola o país, e que a cada eleição se torna ainda mais danosa. Evidentemente que é inimaginável e inaceitável conceber uma ideia de democracia sem a existência de opostos, contudo, a dicotomia política no Brasil está além dessa oposição de ideias que é tão salutar numa sociedade democrática. 

Para compreender melhor a situação do Brasil é preciso se reportar ao período áureo de dominação do império Romano, onde as práticas dos césares era a de dividir para governar, situação idêntica à que é imposta ao Brasil atualmente. A sociedade brasileira está sendo lesada gravemente por falsos discursos ditos de Direita e Esquerda, mas que na verdade fazem parte de um projeto de dominação estabelecido no país há mais de trinta anos. 

De 1989 até hoje o Brasil já teve seis presidentes diferentes, com discursos distintos, porém com práticas de exercício político muito parecidas. Invariavelmente quem tem assumido a cadeira de presidente da república se torna em pouco tempo refém das imposições do congresso, que age dessa forma por fisiologismo, mas também por falta de um projeto claro, emancipatório e moderno daqueles que se colocam como representantes do poder executivo no país. A grande mídia, e a elite financeira do país também fazem parte desse “esquema”, pois historicamente tem tirado vantagem dessa situação. 

Lamentavelmente o uso das redes sociais para a propagação de discursos políticos de forma indiscriminada e também a utilização das religiões, principalmente as de matrizes cristãs, estão entrando cada vez mais nesse “esquema” de aprofundamento da dicotomia política no Brasil. O mais grave é que a maior parte das pessoas não percebe isso, muito pelo contrário, buscam cada vez mais alimentar de forma consciente ou não, esse modelo dual do “NÓS CONTRA ELES”. Não tem sido difícil encontrar no país casos de violência motivadas por rivalidade política, onde as pessoas não toleram a opinião divergente do outro. 

A situação é realmente mais grave do que se imagina, os termos Direita e Esquerda, foram cunhados como expressão de orientação política a partir de fatos ocorridos na Revolução Francesa, e por conta da importância desse fato histórico, em pouco tempo ganhou notoriedade e representação em várias partes do mundo. No Brasil, essa concepção histórica e filosófica dos termos tem sido deveras negligenciada, e Direita e Esquerda passaram a ser “adjetivos” e/ou xingamentos, mais recentemente os termos Fascista e Comunista passaram a ser usados no cotidiano das redes sociais, e em rodas de conversas como se fossem termos banais e de fácil compreensão por qualquer um. 

Tudo isso ocorre pela propagação de um discurso de ódio que parte de todos os lados, pelo interesse da grande mídia em tutelar a opinião pública, pelo interesse do grande capital financeiro em continuar se servindo do estado para aumentar ainda mais seus lucros. Mas principalmente por parte da população que insiste em escolher o que lhe é mais cômodo, negando a importância de uma análise reflexiva e optando por uma prática reativa/instintiva, e em certa medida até mesmo narcisista onde “odeia tudo que não é espelho”.   

O Dramaturgo alemão Eugen Bertholt Friedrich Brecht, classificaria os indivíduos que se deleitam dessa paranoia dicotômica como “Analfabetos políticos”, ao considerar que este é o pior tipo de analfabetismo dentro de uma sociedade. Agir assim, é negar a própria essência da política como instrumento de mudança, é se contentar com um discurso pequeno, mesquinho, cobiçoso e repleto de vaidade, onde é mais importante alimentar o próprio ego ao invés de debater de forma séria o futuro do país. 

Não se trata de saber quem é do “bem e quem é do mal”, a partir do momento em que se reconhece que concepções de Direita e de Esquerda, nasceram da necessidade humana de encontrar respostas para suas demandas políticas e sociais. É preciso entender que tanto uma quanto a outra, possui singularidades que trazem benefício ou não, que podem ser mais ou menos  adequadas a realidade histórica de cada lugar, mas que sobretudo, o confronto de suas ideias deve ter como produto primordial a tomada decisões, capaz de trazer o maior número de benefícios possíveis para seu povo. 

Romper com esse modelo que privilegia a ignorância e exacerba a vaidade e o individualismo, representará verdadeiramente a emancipação do país. Grupos internacionais muito articulados têm lucrado e incentivado a manutenção desse quadro no Brasil e em muitos países, através de ONGs, do controle da narrativa, de igrejas e da influência sobre a classe política. Dessa forma, é preciso colocar o dedo nessa ferida e estourar essa bolha na qual todos nós estamos inseridos, passando a acreditar nas potencialidades do nosso país, respeitando as diferenças que nele existem e entender que o Brasil só pode ser melhor se for para todos e não apenas para alguns poucos.

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Professor Jorman Santos:

1 comentário
  1. Neusa Diz

    É verdade. Parece que não é democracia, mas uma guerra.

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