Dimas Covas diz ter alertado Pazuello e Saúde que só o Butantan poderia vender Coronavac

"O ministério era sabedor que o Butantan era o representante exclusivo da Sinovac e o responsável pelo uso da Coronavac no Brasil", afirmou Dimas Covas

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O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou nesta sexta-feira (16) que alertou Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde e também interlocutores da Pasta, diversas vezes, que “o Butantan era o representante exclusivo da Sinovac e o responsável pelo uso do imunizante Coronavac no Brasil”.

A declaração acontece após, assim como publicou o Brasil123, um vídeo em que o ex-ministro da Saúde afirma estar negociando vacinas da Coronavac através de intermediários veio à tona.

Durante entrevista ao portal “G1”, Dimas Covas disse que o alerta foi feito “tanto ao ministro da Saúde, quanto outros interlocutores da pasta”. Sendo assim, afirmou o diretor do instituto, estava claro para o Ministério que não haveria outra forma de obter o imunizante que não fosse por intermédio do Butantan.

“O ministério era sabedor que o Butantan era o representante exclusivo da Sinovac e o responsável pelo uso da vacina no Brasil. A vacina CoronaVac é produzida no Butantan com o IFA da China, não haveria outra forma de obter a vacina que não fosse por intermédio do instituto. Fato público e notório”, declarou Dimas Covas.

Ainda de acordo com o diretor do Butantan, o recado de que apenas o instituto era o responsável pela vacina não foi dado uma, ou duas vezes. Segundo ele, foram diversos alertas a membros da pasta e ao próprio general. “Alertei por várias vezes, não sei se foram oito exatamente. E alertei para vários interlocutores do Ministério. Inclusive para o Ministro”, ressaltou.

Reunião de Pazuello

A informação sobre a negociação da Coronavac através de intermediários foi publicada pelo jornal “Folha de São Paulo”. De acordo com a matéria, os imunizantes foram oferecidos pelo triplo do preço durante uma reunião que contou com a presença do até então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

Pelas mãos dos intermediadores, cada dose do imunizante sairia por US$ 28, um valor muito maior do que os US$ 10 dólares estabelecidos em contrato pelo Instituto Butantan, que adquiriu os imunizantes para o estado de São Paulo.

Encontro de Pazuello com intermediadores que estariam negociando a venda de vacinas da Coronavac. (Foto: reprodução)
Encontro de Pazuello com intermediadores que estariam negociando a venda de vacinas da Coronavac. (Foto: reprodução)

“Nós estamos aqui reunidos no Ministério da Saúde, recebendo comitiva liderada pelo John. Uma comitiva que veio tratar da possibilidade de nós comprarmos 30 milhões de doses, numa compra direta com o governo chinês”, começa Pazzuello em um vídeo publicado nesta sexta-feira (16) e supostamente gravado no dia 11 de março.

Na sequência, o general afirma que a negociação também abriria uma nova possibilidade de o país ter mais doses e mais laboratórios. “Vamos tratar na semana que vem. Mas saímos daqui hoje já com memorando de entendimento assinado e com o compromisso do ministério de celebrar, no mais curto prazo, o contrato”, completa no vídeo.

Segundo a “Folha”, a carta de intenção de compra seria mesmo assinada. Todavia, por conta da troca de Pazuello por Marcelo Queiroga na liderança da Saúde, o documento ficou pendente. Ainda conforme o jornal, os intermediadores ficariam com uma comissão que variaria entre US$ 0,70 e 0,85 por dose.

Leia a matéria completa: Pazuello se reuniu com intermediadores que vendiam CoronaVac pelo triplo do preço

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