Diego Armando Maradona: O mais autêntico dos latinos

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Três nomes marcaram profundamente a vida dos argentinos nos últimos 100 anos: Evita Peron, Che Guevara e Dom Diego Armando Maradona. Gênio, revolucionário, antagônico, admirado e odiado, essas são algumas das muitas características do maior camisa 10 da Argentina. dentro de campo sua trajetória foi repleta de grandes jogadas, dribles memoráveis, arrancadas espetaculares, títulos e gols que marcaram a história do futebol. A vida fora dos gramados foi recheada de episódios polêmicos, como o envolvimento com as drogas e o engajamento político. Dom Diego também foi apresentador de TV, ator, cantor, além de ser o maior “chanceler” que a Argentina não teve.

“El pibe de oro” sempre foi a cara da Argentina, ou melhor, sempre foi a cara do povo latino, não importava com quem, ou onde estivesse, Dom Diego sempre fazia questão de expressar sua identidade latina, demonstrando como ninguém seu nacionalismo, suas veias revolucionárias e sua admiração por quem lutava contra as desigualdades sociais. Seu antológico gol na copa do mundo do México em 1986 contra a Inglaterra, no qual arrancou antes do meio de campo, driblando mais meia dúzia de adversários, é considerado até hoje o gol mais bonito de todas as copas. De certa forma essa vitória contra os ingleses ajudou a afagar o ego dos Argentinos que haviam perdido a guerra da Malvinas contra os britânicos quatro anos antes.

No mundo do futebol, Pelé e Maradona sempre disputaram o título de maior da história, fato que sempre gerou e sempre vai gerar muita polêmica, fora dos gramados, no entanto, nenhum jogador alcançou o nível de Dom Diego. Apesar das inúmeras internações, polêmicas e problemas de toda ordem relacionado ao consumo de drogas, Dom Diego conseguiu colecionar uma legião de fãs por todo mundo, nunca escondeu de ninguém sua admiração pelas lutas revolucionárias na América Latina e expunha abertamente sua opinião política.

Simpatizante dos governos de Hugo Chaves na Venezuela, Fidel Castro em Cuba, Evo Morales na Bolívia e de tantos outros pela América Latina, Dom Diego sabia como ninguém denunciar o imperialismo dos EUA e sempre se colocou em oposição a política externa adotada pelo país mais rico do planeta, sem se importar com a opinião de ninguém. Maradona fraquejou em muitos momentos de sua vida como qualquer ser humano, mas soube dar a volta por cima em muitos desses momentos. Ímpeto, ousadia e coragem foram sentimentos que sempre o acompanharam.

Nápoles, Itália – 12 de junho de 2011: Canto sagrado de Diego Armando Maradona nas ruas de Nápoles, Itália. O santuário de Maradona, com uma mecha de cabelo argentino consagrada em um caixão de vidro com as palavras ‘Cabelo Milagroso’ escritas nele.

Há quem diga que política e futebol não se misturam, com certeza tal afirmação parte de quem não conheceu o maior ídolo de futebol argentino, Maradona sempre representou a garra latina na luta por seus objetivos. É bem verdade que esse sentimento revolucionário se encontra em estado latente em praticamente todo o continente, mas enquanto viveu Dom Diego sempre enalteceu que a história do povo que vive desde o México até o sul do Chile e da Argentina, sempre foi marcado pelas lutas populares, pelo conflito de classes e pela rebeldia contra sistemas políticos corruptos e opressores.

Maradona foi símbolo de uma América Latina livre, sonhadora, aguerrida e criativa apesar dos obstáculos, com um toque na medida de ginga e malícia. Portanto, hoje é dia que a irreverência, a genialidade e a garra deixam de ser apenas características de um homem, para se tornarem os atributos de uma lenda.

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Professor Jorman Santos:

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3 Comentários
  1. ANSELMO ROCHA ASSUNCAO Diz

    👏👏👏👏 show
    10🇦🇷

  2. Isabela Marinho Diz

    Ele realmente era polêmico, fez história!

  3. […] No campo, Maradona era um meia. Era portanto alguém que jogava no meio do campo aproximando a bola da área de ataque sempre que possível. Fora do campo, no entanto, sua posição era outra: a esquerda.  […]

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