Desigualdade social no Brasil bate recorde no primeiro trimestre

FGV Social também mostra que a renda do trabalho dos brasileiros caiu no período, bem como o nível de satisfação

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A desigualdade social no Brasil renovou um recorde histórico no primeiro trimestre de 2021. No período, também houve redução da renda e do nível de satisfação dos brasileiros. Pelo menos é o que afirma um estudo do economista Marcelo Neri, do FGV Social, divulgado hoje (14) pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Em resumo, o índice de Gini, cujo objetivo é medir a desigualdade, avançou de 0,642 no primeiro trimestre de 2020 para 0,674 no mesmo período deste ano, renovando um recorde histórico do Brasil. Aliás, quanto mais próximo de 1, maior a concentração de renda no local.

Renda dos brasileiros afunda no trimestre

Ao mesmo tempo, a renda média dos brasileiros caiu pela primeira vez abaixo dos mil reais mensais. Os valores recuaram de R$ 1.122 nos três primeiros meses de 2020 para R$ 995 no primeiro trimestre de 2021. A propósito, a queda chegou a 11,3% e tirou o indicador do maior nível já registrado pela série iniciada em 2012.

Para chegar ao resultado, o estudo considerou a renda efetivamente recebida do trabalho. A partir deste valor, a dividiu pelos integrantes da família. Além disso, também usou os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O estudo mostrou que a renda do trabalho na população em idade ativa despencou 10,89%. Vale destacar que o levantamento considerou os desocupados. Já entre a parcela dos 50% mais pobres, o tombo foi quase o dobro (-20,81%).

Ainda segundo o estudo, o principal fator que puxou a renda da população em geral pra baixo foi o recuo expressivo da taxa de participação no mercado de trabalho. Essa queda respondeu por mais de 80% do recuo do rendimento do brasileiro no trimestre. Entre os mais pobres, o avanço do desemprego pesou mais.

Nível de satisfação também recua no período

Em suma, o estudo não mostrou apenas os dados da desigualdade social e da renda dos brasileiros. O levantamento também abordou questões subjetivas, como o nível de satisfação da população. E esse indicador teve queda de 0,4 ponto percentual, caindo para 6,1, menor ponto da série histórica.

Nesse caso, os dados se referem ao primeiro trimestre de 2020, quando comparado ao mesmo período de 2019. A saber, essa medida geral de felicidade se baseia no levantamento da Gallup World Poll. Aliás, a escala do indicador varia de 0 a 10.

As faixas dos mais pobres e do grupo intermediário puxaram o indicador pra baixo, uma vez que as duas camadas mais superiores quase não apresentaram variação em suas taxas. Entre 2019 e 2020, 24% dos brasileiros afirmaram ter tido raiva, contra 19% no ano anterior. O aumento superou em muito a variação média dos 40 países pesquisados, que aumentou apenas 0,8 ponto, de 19,2% para 20%.

Por fim, a taxa de brasileiros que afirmou estar mais preocupado passou de 56% para 62%. Da mesma forma, houve elevação dos seguintes sentimentos entre os brasileiros: estresse (43% para 47%) e tristeza (26% para 31%). Em todas estas análises, as emoções negativas dos brasileiros cresceram mais do que a alta em outros países.

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