Desembargadora defende que Crivella volte para a cadeia

Crivella foi para a prisão domiciliar menos de 24 horas depois de dar entrada no sistema penitenciário, por decisão liminar do STJ

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A desembargadora Rosa Helena Penna Macedo Guita, que foi quem determinou a prisão do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, enviou um ofício ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) defendendo que o chefe do executivo carioca volte para a cadeia. Crivella foi para a prisão domiciliar menos de 24 horas depois de dar entrada no sistema penitenciário, por decisão liminar do STJ.

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Crivella foi preso na Operação Hades, que apura o funcionamento de um suposto “QG da Propina” na Prefeitura do Rio. De acordo com o Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ), existia um esquema no qual empresários pagavam para ter acesso a contratos e também para receber valores que eram devidos pela gestão municipal do Rio.

Ao conceder a prisão domiciliar para Crivella, o presidente do tribunal, o ministro Humberto Martins, concordou com um dos argumentos da defesa do prefeito afastado, o de que ele não poderia ficar na cadeia porque tem mais de 70 e por isso pertence ao grupo de risco da Covid-19.

O ofício da desembargadora foi enviado ao ministro Humberto Martins. Nele, Helena Guita afirma que não existe nenhum caso de contaminação pela Covid-19 no presídio de Bangu 8 – onde o prefeito afastado ficaria preso e que, por esse motivo, não viu risco à integridade física dele.

O documento em que Helena defende a volta de Crivella à cadeia tem, no total, onze páginas. Nele, a desembargadora fornece informações sobre o caso e explica o porquê o prefeito afastado deveria ficar na cadeia.

Durante a explicação, Helena conta que existe uma prova documental abundante contra o político. Essas evidências, segundo ele, são mais do que suficientes para constatar o envolvimento dele no esquema de corrupção.

Dentre essas provas, ela relembra as trocas de mensagens explícitas sobre partilha de propina e exigência, junto ao próprio prefeito, de retorno financeiro do investimento feito, o que seria, de acordo com a magistrada, uma franca alusão ao dinheiro gasto na campanha eleitoral dele.

Desembargadora teme que Crivella burle regras 

Além disso, ela diz que Crivella já burlou a justiça uma vez, usando de um “expediente maliciosamente planejado”. A fala da magistrada acontece porque, durante uma operação de busca e apreensão, o prefeito entregou o aparelho de telefone celular de uso e propriedade de outra pessoa, afirmando ser seu, em total desfaçatez.

Ela avalia que, com essa atitude, o prefeito não só reforçou os indícios de autoria dos crimes como também demonstrou clara intenção em obstruir a colheita de provas. Sendo assim, ela acredita ser preocupante a possibilidade dele ficar preso em casa.

Isso porque, na visão de Helena, Crivella pode desrespeitar a proibição de ter acesso a telefone e internet. “Ele vai ter contato com familiares que dispõem livremente de meios de comunicação próprios, que podem ser momentaneamente cedidos a ele”, finalizou no pedido.

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