Cuba: Raúl Castro deixará o comando do Partido Comunista

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Raúl Castro anunciou a renúncia do cargo de chefe do Partido Comunista de Cuba na última sexta-feira (16). Ele domina a política da ilha desde a morte do irmão Fidel, em 2016. A notícia, que já era aguardada há dias, foi comunicada na abertura do oitavo congresso do Partido Comunista.

Castro, de 89 anos, está no poder desde 2008 e é secretário do partido desde 2011. Em 2018 ele já havia deixado a presidência para Miguel Díaz-Canel, de 60 anos, mas não o cargo de chefe do Partido Comunista, o principal do país. No final do congresso, na próxima segunda-feira (19), Castro deve, portanto, renunciar a todos os cargos oficiais, incluindo o de chefe das Forças Armadas.

Há algum tempo, devido à idade avançada, Raúl começou a planejar a renúncia ao poder, anunciando que em 2021 abandonaria todos os cargos. Em 2018 deixou a presidência para Díaz-Canel e em 2019 permitiu a aprovação de uma nova constituição que, entre outras coisas, restaurou o cargo de primeiro-ministro. 

Ao lado de Raúl Castro, o deputado José Ramón Machado, 90 anos, também deve se aposentar. Ele é outro dos últimos expoentes da “geração histórica”, que participou na revolução de 1959 e instaurou o regime comunista na ilha. Segundo as previsões, o cargo de chefe do Partido Comunista deve ir para Díaz-Canel, o atual presidente.

Mudanças em Cuba

No congresso dos últimos dias, que contará com a presença de centenas de delegados, espera-se que se discuta uma “atualização” do modelo econômico cubano, conforme o jornal Granma. No entanto, é pouco provável o anúncio de reformas ambiciosas. Segundo analistas, para revitalizar a economia cubana seria necessário reformar profundamente as indústrias estatais, hoje obsoletas, e os numerosos órgãos públicos que empregam a maioria da população.

Mesmo do ponto de vista da política externa, Cuba se encontra em uma situação desfavorável. Isso porque nos últimos anos Donald Trump recusou a estabilização das relações diplomáticas com os Estados Unidos desejada por seu antecessor Barack Obama. Além disso, o republicano passou a incluir Cuba na lista de países que apoiam o terrorismo internacional, uma decisão considerada por muitos observadores internacionais como injustificada.

Agora, espera-se que o novo governo de Joe Biden nos Estados Unidos tente restabelecer as relações, mas por enquanto não há indicações precisas.

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