Crise humanitária em 10 países recebeu menos atenção da mídia do que novo PlayStation em 2020

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Em 2020, a candidatura de Kanye West à presidência dos Estados Unidos, o Eurovision Song Contest (concurso de música da Europa) e o lançamento do PlayStation 5 tiveram muitas vezes mais cobertura da mídia do que as 10 das piores crises humanitárias do mundo juntas. A conclusão é do relatório da Care International divulgado nesta semana. 

Segundo as Nações Unidas, as pessoas afetadas por crises humanitárias aumentaram 40% em 2020. Ou seja, são 235,4 milhões de pessoas em extrema necessidade de assistência. Foi o maior aumento de pessoas afetadas por crises em um único ano. 

O relatório aponta que a mídia permaneceu em grande parte silenciosa sobre as desigualdades que se aprofundaram devido às mudanças climáticas e à pandemia de Covid19, apesar de reportar amplamente sobre esses tópicos.

A Care International registrou 10 das piores crises humanitárias do mundo e quantos artigos de notícias as abordaram. Com o resultado, encontraram números que variaram de 542 sobre a Guatemala, onde populações inteiras estão desesperadas por alimentos. O número mais alto foi na Zâmbia, com 2.143 artigos sobre as condições climáticas extremas estão causando inundações severas e seca. 

Em comparação, o número de artigos de mídia atribuídos ao lançamento do Playstation 5 foi de 334 mil, a cobertura do Eurovision Song Contest garantiu 50.300 artigos e a candidatura de Kanye West à presidência dos EUA resultou em quase 40 mil.

Atenção às crises humanitárias

Enquanto isso, a fome severa no Burundi, a pobreza extrema na República Centro-Africana, o abuso e negligência de idosos na Ucrânia, as emergências climáticas severas em Madagascar, o aumento dos casamentos infantis no Malauí e o conflito no Paquistão afetaram milhões de pessoas. No entanto, foram pouco relatados e ignorados pelo resto do mundo.

De acordo com o relatório, isso roubou às crises humanitárias a atenção de que necessitavam para atrair fundos que poderiam ter ajudado as pessoas que precisam de assistência.

Para resolver o problema, a organização oferece algumas sugestões. Em primeiro lugar, os jornalistas devem ter acesso fácil a dados, pessoas e funcionários do governo, para que possam fazer reportagens precisas e robustas. Além disso, reduzir a intimidação e a censura ajuda o exercício da profissão. 

Leitores e filantropos devem financiar mídias independentes e éticas para que os veículos não precisem depender do envolvimento do usuário para permanecer no mercado. Para os influenciadores de redes sociais a organização pede para ir além da hashtag. Assim, as pessoas podem “se envolver e se comunicar com – e não apenas sobre – as pessoas afetadas em toda a sua diversidade”, completa o relatório.

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