Crise do oxigênio: mais de mil cidades correm risco iminente

Ao todo, 1086 municípios informam alto risco de desabastecimento de cilindros de oxigênio em até 10 dias.

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Levantamento divulgado pelo Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde) nesta quinta-feira (08), apresentou dados sobre o abastecimento dos municípios no que diz respeito a tanques e cilindros de oxigênio.

O estudo foi realizado junto a 2.411 municípios de todas as regiões do país.

De acordo com os dados fornecidos pelas secretarias municipais de saúde, 1.086 destas cidades informaram o risco iminente de desabastecimento de cilindros de oxigênio em até dez dias.

Destes, 57 municípios também informaram o risco iminente para desabastecimento de tanques de oxigênio, enquanto que 14 outras cidades informaram ter problemas somente quanto aos tanques.

Leia também: Kit intubação: 50% dos municípios informam risco iminente para falta de medicamentos.

Se olhados em números percentuais, 2.411 cidades equivalem a 43% de todos os municípios no Brasil, dado que faz com que este levantamento se torne ainda mais relevante e preocupante.

Neste sentido, quase 20% de todos os municípios no país apresentou a iminente falta de cilindros de oxigênio, sendo que o estudo ainda ressalta que este número, na verdade, pode ser maior.

Falta de oxigênio preocupa municípios há mais de mês

Este levantamento divulgado hoje, é fruto de uma pesquisa junto aos municípios que já estava sendo realizada nas últimas semanas de março e se encerrou na última terça-feira (06).

Considerando isso, a assessora técnica do Conasems, Blenda Pereira, informou em entrevista à Folha, que o desabastecimento pode começar a ocorrer já nos próximos dias, pois algumas das respostas foram originadas no início do levantamento, então, o prazo de dez dias pode já ter passado, dependendo da data em que determinado município respondeu à pesquisa.

Sobre a localização dos casos mais graves, a pesquisadora afirmou que “vemos um problema nacional”, sendo que não foram apresentados os dados individuais de cada município que preencheu os dados do levantamento.

Estes dados apresentados hoje, reforçam outra pesquisa, esta apresentada pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) em 27 de março, onda já apontava que 50% das cidades brasileiras corriam risco iminente de desabastecimento de algum item essencial para salvar as pessoas que venham a ser internadas em decorrência das complicações pela Covid-19.

Naquela pesquisa, realizada com 2.611 municípios foi apontado que entre 23 e 25 de março, 1.316 cidades (50,4%) corriam risco de ficarem sem medicamentos para o kit intubação, enquanto que 709 (27,2%) informavam a ameaça iminente de ficarem sem oxigênio.

Na semana seguinte, a segunda edição desta pesquisa do CNM já havia apontado um quadro de estabilidade a respeito destes números, tendo em vista que 24,2% dos municípios informavam risco de desabastecimento de oxigênio, enquanto 46,6% relatavam a iminente falta de medicamentos que compõem o kit intubação.

Hospitais privados também estão no sufoco

Se olhado um quadro ainda maior, aquele que diz respeito ao kit intubação, até os hospitais de ponta já afirmaram estar em crise de abastecimento.

Outro levantamento, este divulgado ontem (07) pela Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) informou que sete em cada dez “hospitais de excelência” apresentavam risco de não contar com medicamentos ou oxigênio.

Ainda nesta pesquisa, viu-se que 75% destes hospitais diziam ter materiais suficientes para apenas mais uma semana ou menos, sendo que 12,5% do total das instituições analisadas afirmaram que possuíam suprimento de oxigênio para somente mais cinco dias.

Já sobre a falta de anestésicos utilizados no kit intubação, o número aumenta para 26,1% afirmando que estariam com seus estoques zerados já nos próximos dias.

A situação é semelhante ou ainda mais grave na rede pública e se soma a uma série de outros fatores que desafiam os brasileiros no combate à pandemia.

Como medidas para evitar a real falta de oxigênio, sejam os cilindros ou os tanques, ou de medicamentos para o kit intubação, o Ministério da Saúde afirma que atua junto a fabricantes, além de já ter solicitado a importação de medicamentos diretamente da Índia, porém, devido a grande demanda mundial, estes produtos ainda não teriam uma data prevista para chegar ao Brasil.

Leia também: Mais de 500 mil mortes até julho: projeção internacional alerta o Brasil.

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1 comentário
  1. […] Na pesquisa realizada na semana passada, esse número era de 1.141 municípios. Já a falta de oxigênio, insumo essencial para tratar Covid-19 grave, foi registrada em 589 […]

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