CPI quer comprovar alianças entre agentes públicos e privados para lucrar com a pandemia

Randolfe Rodrigues afirma que indícios mostram que uma aliança público-privada teria ocorrido durante o combate à pandemia em pelo menos duas oportunidades

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A CPI da Covid-19 espera dar passos importantes nesta semana. Nesse sentido, afirma o vice-presidente da Comissão, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), os senadores esperam comprovar alianças formadas entre agentes públicos e privados com o intuito de lucrar financeiramente com o combate à pandemia.

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Em entrevista ao jornalista Valdo Cruz, o senador afirma que a CPI inaugura, nesta semana, uma terceira, decisiva e última fase da Comissão, que visa investigar as ações e omissões do governo federal durante a pandemia da Covid-19.

“Depois de confirmar a negligência do governo em comprar vacinas e a existência de um gabinete paralelo, que atuava de forma negacionista e foi responsável pelo agravamento da pandemia, agora chegou o momento de comprovar a aliança entre agentes públicos e privados para lucrar financeiramente com o combate à pandemia”, afirmou o senador.

Ainda de acordo com Randolfe, a CPI da Covid-19 já constatou indícios de que essa aliança teria ocorrido durante o combate à pandemia em pelo menos duas oportunidades:

  • Na defesa da hidroxicloroquina, medicamento ineficaz para o tratamento do vírus;
  • E também nas negociações de compra da vacina indiana Covaxin, a única que teve uma empresa intermediando as tratativas e com um preço mais elevado do que as demais.

“Alguns elementos já vieram à tona tanto no caso da defesa da cloroquina como da compra da Covaxin. A médica Nise Yamaguchi fez 13 viagens a Brasília, sendo que oito teriam sido pagas com dinheiro vivo”, revelou o senador.

“Não foi com cartão, nem transferência, foi com dinheiro vivo, um procedimento atípico, que é muito suspeito”, afirmou Randolfe Rodrigues. Assim como publicou o Brasil123, Nise Yamaguchi é acusada de participar do gabinete paralelo e também uma das 14 investigadas pela Comissão.

Depoimento importante à CPI da Covid-19

De acordo com o vice-presidente da comissão, quanto a vacina indiana, esta semana será de suma importância, visto que, entre os depoentes, estará um dos sócios da empresa de medicamentos Precisa, Francisco Maximiano.

“A CPI tem um documento de um inquérito do Ministério Público Federal sobre a participação da Precisa, empresa de medicamentos, que atuava como intermediária na compra da vacina Covaxin, a única em que o governo Bolsonaro mostrou um grande empenho para adquiri-la”, explicou o senador.

Por fim, Randolfe Rodrigues ainda ressaltou que depoimentos de servidores indicam que ocorreram “procedimentos atípicos de pressão por essa vacina”. Nesse sentido, o parlamentar ainda relembra que a Precisa vai lucrar com o contrato de R$ 1,6 bilhão para compra da vacina.

“Quem do governo negociou com a Precisa, quem participou das negociações, quem do grupo do presidente Bolsonaro pode ser ligado ao dono da empresa. Tudo isso precisa ser esclarecido”, finalizou o senador.

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