CPI da Covid: Vendedor da Davati contradiz Dominghetti e nega relação prévia com o policial

Dominghetti disse à CPI que havia sido designado pela Davati para vender vacinas

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Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, o representante comercial da Davati Medical Supply, Cristiano Carvalho, afirmou que foi procurado pelo policial militar Luiz Paulo Dominghetti em janeiro deste ano para tratar sobre a venda de vacinas contra Covid-19 ao Ministério da Saúde.

A versão de Carvalho contradiz o depoimento de Dominghetti à CPI da Covid, quando o policial militar e autointitulado “vendedor de vacinas” disse que havia sido designado pela Davati para negociar vacinas.

“Eu conheci o senhor Dominghetti através de um colega em comum, o Rafael Alves […] no início de janeiro, primeira quinzena de janeiro, aproximadamente. Que ele tinha uma demanda de vacinas do Ministério da Saúde, e até então eu não falei com ele. Eu só vim a ter contato telefônico com ele no dia 10 de fevereiro, até então ele tratava com o Rafael Alves”, diz Carvalho.

“Eu sempre fui incrédulo da situação da venda, comercialização de vacinas. Nunca dei muita atenção para isso, comecei a dar um pouco de atenção quando começaram a chegar a mim contatos oficiais do Ministério da Saúde, e-mails, telefonemas. Aí, comecei a dar maior atenção”, afirma.

Proposta de vender vacinas ao governo foi levada à Davati por Dominghetti

Ao ser questionado pelo relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), Cristiano Carvalho confirmou que a proposta de vender vacinas contra Covid-19 ao governo federal chegou a ele pelas mãos de Dominghetti.

“Sim, senhor. Ele já tinha uma parceria com a Senah, Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários, e eles estavam buscando um fornecedor no exterior para sanar essa demanda que eles tinham entre eles. Precisamente como eles se conheceram, como chegaram um ao outro, vou ser bem sincero a Vossa Excelência que não tenho como dizer”, diz.

A Davati ganhou destaque na CPI da Covid após Dominghetti denunciar ao jornal Folha de S. Paulo um suposto esquema de cobrança de propina envolvendo compra de vacinas pelo Ministério da Saúde.

Já a Senah entrou no radar da CPI, pois teria sido autorizada a negociar vacinas com a Davati por Laurício Cruz, ex-diretor de Imunização do Ministério da Saúde. A ponte entre a Davati e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) teria sido feita pelo reverendo Amilton de Paula, fundador da Senah.

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