Covid-19: Polícia e MP investigam morte de paciente tratada com nebulização de hidroxicloroquina em Manaus

A Secretaria Estadual de Saúde informou que duas pacientes foram submetidas a nebulização com a hidroxicloroquina. Destas, apenas uma recebeu alta

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Tanto a Polícia Civil quanto o Ministério Público do Amazonas investigam a morte de uma paciente com Covid-19, em Manaus, capital do estado, que recebeu tratamento com nebulização de hidroxicloroquina, um procedimento que não tem eficácia comprovada.

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Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) informou ter determinado a abertura de uma sindicância e também o afastamento da médica que realizou o tratamento que, de acordo com a pasta, não faz parte dos protocolos da rede estadual de saúde.

Ainda segundo o órgão, duas pacientes foram submetidas a nebulização com a hidroxicloroquina. Destas, apenas uma recebeu alta, sendo os casos registrados na maternidade Instituto da Mulher Dona Lindu (IMDL).

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Duas pacientes foram submetidas a nebulização com a hidroxicloroquina. Destas, apenas uma recebeu alta. (Foto: reprodução)

De acordo com as informações, a médica afastada chegou a filmar o momento em que uma das pacientes foi submetida ao tratamento com hidroxicloroquina, a fim de mostrar aos familiares. Após a paciente morrer, um parente denunciou o caso nas redes sociais.

Conforme revela a delegada Deborah Souza, titular do 15º Distrito Integrado de Polícia (DIP), a polícia recebeu a denúncia do Comitê de Violência Obstétrica do Amazonas e da ONG Humaniza.

Segundo a denúncia, ao menos três mulheres grávidas morreram após o tratamento. “Nós estamos investigando as circunstâncias em que aconteceu a morte dela, abrimos inquérito policial e, após a conclusão do inquérito, nós levaremos o caso à Justiça para tomar as providências cabíveis”, disse.

Nebulização de hidroxicloroquina não é aprovada

Além disso, a delegada ressaltou que o tratamento de nebulização de hidroxicloroquina em casos de Covid-19 não é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Adicionalmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou uma diretriz, em março, pedindo que o medicamento não seja usado nesse tipo de situação.

Médica pode responder por homicídio

A delegada ainda explica que, dependendo de como as circunstâncias se desenvolverem, e se for constatado uma negligência, uma imprudência, uma imperícia, “esses médicos podem ser enquadrados no crime de homicídio culposo”.

Nesse sentido, de acordo com o procurador Igor Starling, do MP-AM, o órgão irá iniciar uma investigação para apurar a responsabilidade civil, administrativa e criminal sobre o caso.

“Se constatar que foi proposital e que assumiu o risco de praticar aquilo, como um profissional está assumindo na área que atua, vai responder por homicídio. Pois o médico, no momento que ele se responsabiliza por um tratamento diverso daquele, ele assume o risco da sua tática e ele é responsável por aquilo”, explicou.

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