Covid-19: “passaporte de imunidade” é debatido entre líderes europeus

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Os líderes dos 27 países da União Europeia se reuniram, nesta semana, por videoconferência para discutir um plano comum de combate à pandemia do novo coronavírus. A discussão centrou-se em particular nas vacinas, consideradas fundamentais para um regresso gradual à normalidade após um ano de restrições. Além do atraso na entrega das doses, os representantes falaram da possibilidade de introduzir um “passaporte de imunidade”. O documento, que seria digital, é um tema importante aos países do sul da Europa, que querem contar com as receitas do turismo no verão. 

Na última quinta-feira (25), a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, disse que o objetivo do bloco é vacinar pelo menos 70% da população adulta da União até o verão – que começa em 21 de junho no hemisfério norte. No entanto, os atrasos nas entregas das vacinas e na implementação dos planos de vacinação de cada país, mostraram que atingir essas metas é extremamente difícil em tão curto espaço de tempo.

Então, daí a ideia de certificar as pessoas que já receberam uma vacina contra o coronavírus ou um resultado negativo com uma espécie de passaporte. As discussões sobre como este passaporte deve ser feito estão apenas começando e no momento não se sabe quais informações deve conter.

A União Europeia quer criar uma plataforma digital comum para gerir passaportes de imunidade. Dessa forma, torna-se mais fácil e rápida a verificação do certificado nas fronteiras e especialmente nos aeroportos, antes do embarque. Portanto, Von der Leyen ressaltou que é importante que os países da União atuem em conjunto na concretização da plataforma.

Reações

O país europeu que mais pressionou por um “passaporte de imunidade” foi a Grécia, que há meses apresentou a proposta, tendo em vista a possível chegada de turistas na época de verão, responsável por grande parte da economia nacional. Depois da Grécia, um dos países mais partidários do “passaporte da imunidade” é a Áustria. O chanceler Sebastian Kurz disse que a certificação deve ser não apenas para viagens, mas também para ir a bares, restaurantes e participar de eventos públicos. Só assim, segundo Kurz, será possível voltar ao normal o mais rápido possível.

A ideia de Kurz é fazer como Israel, onde o governo vai introduzir uma espécie de “passaporte de imunidade”. O documento certifica se a pessoa recebeu a vacina ou se está curada da Covid-19 e, portanto, terá acesso a diferentes locais públicos abertos apenas para os vacinados. 

No entanto, existe uma grande diferença entre a situação de Israel e a da União Europeia. Israel é, de fato, o país mais avançado do mundo. Com população de nove milhões de habitantes, mais da metade recebeu pelo menos uma das duas doses da vacina da Pfizer-BioNTech. Além disso, mais de três milhões de pessoas já completaram a vacinação com as duas doses.

Dúvidas sobre o “passaporte de imunidade”

Entre os países que mostraram mais dúvidas estavam Alemanha, França, Bélgica e Holanda, que afirmam ser cedo para se falar em passaporte de imunidade, dado o baixíssimo número de vacinados nos países da UE. Apenas 7% da população de quase 450 milhões de pessoas foi imunizada na União Europeia.

Para a chanceler alemã, Angela Merkel, a questão do “passaporte de imunidade” continua a ser um projeto futuro e não imediato. “Ainda devemos estar prontos e para isso a União Europeia deve trabalhar a um sistema comum com todos os países membros. No futuro, certamente será bom ter esse certificado, mas isso não significa que apenas aqueles com esse passaporte poderão viajar”, afirmou Merkel.

O presidente francês Emmanuel Macron manteve uma postura bastante cética sobre o “passaporte de imunidade”. Ele ressaltou que ainda há dúvidas sobre a duração da imunidade dos vacinados, assim como no risco de contrair o coronavírus novamente.

O primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, na sua primeira reunião europeia, não exprimiu uma opinião clara sobre os “passaportes de imunidade”. Nos discursos, ele incidiu sobretudo na necessidade de vacinar o maior número de pessoas o mais rapidamente possível.

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2 Comentários
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