Covid-19 e Enem 2020: Estudantes ricos provavelmente terão enorme vantagem nas notas do Enem em 2020

Será que o Enem 2020 devia ser cancelado?

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Como já é notícia, o Enem abriu suas inscrições normalmente, sendo que o Ministério da Educação ignorou pedidos de adiamento ou cancelamento do Enem 2020. Na semana passada, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse que o exame não será adiado e que “não foi feito para corrigir injustiças.”

Até mesmo o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta quarta-feira (13), que o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) pode ser postergado por causa da pandemia do novo coronavírus, mas deve ser realizado ainda em 2020.

“O Enem, se for o caso, atrasa um pouco, mas tem que ser aplicado este ano”, disse Bolsonaro aos jornalistas na porta do Palácio da Alvorada.

Não há plano de contingência para realização do Enem caso a pandemia do novo coronavírus se prolongue até novembro, segundo Camilo Mussi, presidente substituto do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas), órgão ligado ao Ministério da Educação e responsável pela prova. As inscrições para o exame começaram nesta segunda (11). 

O problema do Enem 2020 e da educação atual

Ainda que o Enem não tenha sido criado com o objetivo de corrigir injustiças, e ainda que ele sirva para avaliar diferentes pessoas de diferentes idades e condições sociais, não dá para negar que já acontecia uma desvantagem para alunos de ensino público brasileiro, que não é dos melhores, e agora, com essa pandemia, a desvantagem se torna ainda mais evidente.

Enquanto jovens de classe social média ou média alta estudam através de seus computadores e celulares, fazendo uso de internet de rápida velocidade, muitos outros jovens estão sem poder estudar, por conta das aulas presenciais que foram adiadas e falta de acesso à internet, ou ainda, problemas com aplicativos do governo ou celulares que não são de última geração.

É possível observar a diferença nas classes sociais com essas fotos divulgadas pela Folha Uol, de apenas alguns dos muitos casos:

Sem lápis, canetas ou caderno para desenhar, Raphaela dos Santos, 4 anos, contou que a brincadeira que mais gosta são os jogos no celular. marlene bergamo/Marlene Bargamo

Débora Cibele dos Santos, 13 anos, tentou por dias acessar o aplicativo com as aulas a distância da Secretaria Estadual de Educação, mas teve problemas de conexão e com a senha. marlene bergamo/Marlene Bargamo

Rebeca Vitorino, 11 meses, estava na creche há dois meses quando as aulas foram suspensas. A mãe Sara Sousa, 23 anos, teme perder a vaga por ter perdido o emprego durante a pandemia.

Jéssica Laurindo teme que o filho José Leandro Melo, 8 anos, esqueça o que aprendeu, já que não fez nenhuma atividade escolar desde que as aulas foram suspensas.

Sem saber que estão sendo feitas aulas a distância na rede estadual de ensino, Ana Beatriz da Silva, 16 anos, está desde o início da pandemia sem estudar. marlene bergamo/Marlene Bargamo

CORONA VIRUS – COTIDIANO – Em todo o estado, alunos estão tendo aulas a distância por causa da epidemia do coronavírus. As realidades, no entanto, são muito diferentes. Enquanto alunos pobres tem dificuldade para acompanhar as atividades, alunos da rede particular mantem praticamente a mesma rotina de antes. É o caso de Carolina Bertoletti, aluna do Porto Seguro, que mantem a mesma grade curricular de antes. 06/05/2020. FOTO MARLENE BERGAMO/Folhapress. 

O Enem deve ser cancelado?

Ficamos felizes pelos jovens que podem estudar, e preocupados com os jovens que não podem. O problema é que o governo e Ministério da Educação ainda estão estudando a diferença de realidades e falham, até o momento, em se adaptar às mudanças que aconteceram na vida escolar dos jovens brasileiros e falha até mesmo em orientá-los e ajudá-los a se adaptar à essas mudanças também.

“A maioria dos senadores defende que o Enem seja adiado, mas o ministro acha que não deveria ocorrer. Ele não considerou nem o fato de que parte dos jovens não tem acesso à internet”, disse o líder do PSD, Otto Alencar (BA).

“Ele disse que sabe que existem injustiças, mas que Enem não foi feito para corrigir injustiças, mas para selecionar”, afirmou o senador.

De acordo com Alencar, o ministro afirmou que nem todas os estudantes que realizam as provas têm as mesmas chances e que isso não justifica um adiamento.

“O ministro chegou a dizer que existem pessoas que são mais inteligentes e outras que têm pouca inteligência. Achei tão absurdo quando ele falou isso que tive vontade de sair da reunião. É muito absurdo ouvir isso”, disse.​​

Se o ministro prestasse atenção a esse pronunciamento que ele mesmo fez, talvez reunisse a inteligência que tem para raciocinar que a questão não é a inteligência dos estudantes, e sim a impossibilidade de estudar para as provas.

O Enem talvez precise ser aplicado esse ano, mas isso não impede que outras medidas sejam tomadas para ajudar os jovens a não ficarem para trás na educação. Deixe sua opinião nos comentários e siga o Brasil 123!

Veja também: Enem 2020 pode ser cancelado, entenda

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