Covid-19: Brasil falha na convocação da população para vacinação, diz ex-presidente da Anvisa

Gonzalo Vecina critica campanha de comunicação do Ministério da Saúde

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O ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gonzalo Vecina, afirmou que o Brasil peca na convocação da população para a vacinação contra a Covid-19. Segundo o médico sanitarista, a campanha de comunicação por parte do governo não é adequada. A declaração foi dada em entrevista ao portal UOL nesta segunda-feira (21).

“O que nós deveríamos estar fazendo é melhorar nossa capacidade convocatória para trazer as pessoas que deveriam estar se vacinando para que elas se vacinassem. Infelizmente, falta comunicação. E, em saúde pública, comunicação é vital.”, afirmou o ex-presidente da Anvisa.

Na avaliação de Vecina, a imprensa tem assumido o papel do governo na convocação da população para a vacinação contra a Covid-19, diferente do que aconteceu com campanhas prévias de imunização em anos anteriores.

O médico sanitarista elogiou a campanha de vacinação em massa na Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro, destacando-a como exemplo de “plano de marketing e comunicação”, pois ela traz boas notícias e motiva a população a se imunizar contra a Covid-19. Na opinião dele, infelizmente, o exemplo não pode ser replicado em outras cidades por conta da falta de doses de vacinas no Brasil.

“Se tivéssemos mais vacina, nós poderíamos dar muito mais exemplo. (…) Não temos inteligência, não temos governo e, portanto, temos desastre”, afirmou Vecina. De acordo com o médico, a logística de distribuição das doses compradas pelo Ministério da Saúde também é falha e o Brasil poderia ter feito a distribuição de maneira mais inteligente.

“Briga da vacina” evidencia falhas na vacinação contra Covid-19 no Brasil

Ao contrário do que muitos avaliam, a chamada “briga da vacina” entre governadores para ver qual estado imunizará a população mais rapidamente não é tão positiva quanto parece, pois evidencia que há sobra de doses dos grupos que já deveriam estar vacinados.

“Se está sobrando vacina e os cálculos foram feitos de maneira adequada o que está acontecendo é que não está sobrando, é que as pessoas não estão indo vacinar, o que me deixa preocupado. Eu deveria ficar muito feliz porque ‘ó estamos antecipando’, mas, na verdade, não é isso porque não estamos tendo mais vacina. Nós não estamos conseguindo fazer com que as pessoas que deveriam ir vacinar venham se vacinar. Eu não acho que isso seja negacionismo. Eu acho que isso seja falta de capacidade convocatória.”

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