Covaxin: CGU identifica documentos adulterados e busca autoria

Dois documentos foram alterados nas negociações de compra da vacina indiana

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Nesta quinta-feira (29), a CGU (Controladoria-Geral da União) confirmou que identificou dois documentos adulterados no processo de compra da vacina Covaxin pelo Ministério da Saúde.

Segundo a CGU, dois documentos apresentados pela Precisa Medicamentos, ex-representante do laboratório Bharat Biotech no Brasil, sofreram adulterações. O órgão agora trabalha para identificar os autores das modificações.

Após o caso envolvendo a venda da Covaxin entrar na mira da CPI da Covid e do Ministério Público Federal (MPF), a Bharat anunciou o rompimento do acordo com a Precisa.

De acordo com o ministro Wagner Rosário, a perícia concluiu que os documentos apresentados pela Precisa Medicamentos foram elaborados a partir de uma colagem que utilizava cabeçalho, rodapé e assinatura em inglês, contrastando com o texto em português.

“Na nossa análise, achamos estranho um fato: praticamente todos os documentos apresentados pela Bharat no processo estavam em inglês. E esse documento possuía em seu corpo, rodapé, assinatura, cabeçalho e cumprimentos do diretor-executivo, em inglês, e o texto em português, que não se assemelhavam muito aos outros documentos emitidos pela Bharat”, afirmou Wagner.

A informação foi dada pelo chefe da CGU em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, em Brasília, ao lado de Marcelo Queiroga, ministro da Saúde.

Texto em português foi “colado” em documentos adulterados da Covaxin

Ao analisar os documentos, os peritos identificaram que o texto em português foi “colado” no documento apresentado pela Precisa. Resta saber se a empresa brasileira tinha permissão da Bharat para fazer esse tipo de mudança na documentação.

“O que nos levava a crer que texto em português foi colado no documento e apresentado digitalizado [pela Precisa Medicamentos], como forma de comprovação dos poderes de representação da Bharat [no Brasil]. Essa dúvida poderia não ser uma irregularidade caso Bharat reconhecesse a autorização”, disse Rosário.

No dia 22 de julho, a Bharat disse à CGU que não havia autorizado tal documento e tampouco seria responsável por sua emissão.

“Temos que saber quem fez a colagem, estamos encaminhando para perícia. Agora, vão aprofundar isso e a partir daí vamos ver quem confeccionou o documento em que Bharat assume que não autorizou e não emitiu. Quando isso acontecer, dentro dos papeis da CGU temos a responsabilização da empresa, pela lei anticorrupção, pode gerar sanções de idoneidade e multar.”, completou o chefe da CGU.

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