Covax: Vice-diretor da Opas rebate Queiroga sobre atraso na entrega de vacinas ao Brasil

Brasil recebeu 4 milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca neste final de semana

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Após o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmar que o Brasil deveria ter começado a receber vacinas contra Covid-19 do Consórcio Covax Facility em janeiro, o vice-diretor da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), vinculada à OMS (Organização Mundial de Saúde), Jarbas Barbosa, disse que o atraso foi de 30 dias, pois as vacinas deveriam ter chegado ao país no final de março.

Em entrevista à rádio CBN, Jarbas disse que provavelmente Queiroga estava se referindo a uma carta enviada aos países no dia 28 de fevereiro, que previa a entrega das vacinas entre fevereiro e junho.

Segundo o vice-diretor da Opas, o atraso de 30 dias ocorreu por conta da grave situação na Índia, país onde fica o Instituto Serum, o maior distribuidor de vacinas do Consórcio Covax Facility. No momento, a Índia passa pelos piores dias desde o começo da pandemia, batendo recordes de casos confirmados e mortes.

“Esse produtor está tendo dificuldades de cumprir o contrato porque o governo da Índia não tem autorizado as exportações. Há uma busca de se estabelecer uma negociação com o governo da Índia de maneira que pelo menos parte da produção do Serum Institute da Índia pudesse continuar sendo entregue pelo mecanismo Covax”, disse.

No final de semana, o Brasil recebeu 4 milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca através do Covax Facility, uma iniciativa da OMS para garantir a distribuição global de imunizantes contra Covid-19.

Países ricos podem doar vacinas contra Covid-19 à América Latina

Jarbas Barbosa também afirmou que acredita que países ricos possam doar doses extras de vacinas para a América Latina.

“Nós estamos em conversa com alguns países, já pedimos aos Estados Unidos que eles pudessem ajudar a América Latina e o Caribe, principalmente, com as doses de vacina que eles não vão utilizar, e tivemos essa mesma conversa com o governo da Espanha”, afirmou.

“São conversas mantidas de maneira reservada durante algumas semanas pela sensibilidade política do tema, mas agora no dia 1º, durante a reunião da Cúpula Ibero-Americana, o primeiro-ministro da Espanha tornou público o desejo da Espanha de fazer uma doação por intermédio do mecanismo Covax, mas priorizando a América Latina”, completou.

Na avaliação do vice-diretor da Opas, é preciso estabelecer um novo tratado internacional para o combate de pandemias, pois “nitidamente o mundo se encontra despreparado para fazer face a uma pandemia como essa, se a gente não tem o acesso equitativo (a insumos)”.

“Enquanto alguns países ricos compram vacinas para três, quatro, cinco vezes a sua população, países mais pobres, por exemplo, têm no mecanismo Covax sua única ou principal fonte de recebimento de vacinas, se encontram com dificuldades, porque vários produtores entregam 100% da sua produção no primeiro semestre para os países ricos”, argumentou.

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