Conheça o EllaLink: o primeiro cabo submarino de internet entre Brasil e Portugal

O equipamento é o primeiro do tipo à interligar América Latina e Europa de maneira direta

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Implantação do EllaLink. (Foto: divulgação)

Na última terça-feira (1°), foi inicializado o EllaLink, o primeiro cabo submarino de fibra ótica que liga diretamente Brasil e Portugal. Proveniente de um projeto iniciado em 2012, o cabo também inaugura esse tipo de conexão entre os dois continentes. Antes do EllaLink não havia nenhum equipamento do tipo que fizesse o trajeto direto entre a América do Sul e Europa.

Com a novidade, espera-se que a conectividade melhore entre os continentes. Principalmente no quesito velocidade de internet. A implantação deste tipo de tecnologia é mais um avanço em direção ao progresso na área de comunicação, a exemplo da já bastante conhecida internet 5G.

O tamanho e as conexões do EllaLink

O cabo submarino de fibra ótica conta com incríveis 6 mil quilômetros de comprimento. Os pontos de conexão do super cabo são as cidades de Fortaleza, no Estado do Ceará, e a cidade de Sines, em Portugal. Aqui no Brasil, as informações captadas do equipamento são compartilhadas com centrais em São Paulo e no Rio de Janeiro. Sem contar com uma conexão com a Guiana Francesa, território de domínio europeu que faz fronteira com o norte do país, sendo relativamente próximo de Fortaleza.

De Sines, em Portugal, a conectividade se estende por cabos terrestres que vão até Lisboa, capital do país, Madri e Barcelona, na Espanha e a Marselha, na França. Voltando ao oceano, a rede do EllaLink se estende até Cabo Verde, Marrocos, Mauritânia, Ilha da Madeira e Ilhas Canárias.

Mapa que mostra as conexões do EllaLink. (Foto: reprodução)

Dura mais e é mais veloz

O cabo submarino EllaLink foi projetado para ter a capacidade de transmissão de incríveis 100 Tbps (Terabits por segundo). Além disso a EllaLink, empresa responsável pelo projeto do cabo e que dá nome ao equipamento, informou que a vida útil do material é de até 25 anos.

Outro fator de suma importância é a redução da latência. Ou seja, o tempo que cada informação leva para cruzar de uma ponta a outra do cabo. Nos testes feitos com o equipamento, foram registrados apenas 60 milissegundos de latência, o que é muito acima da média para esse tipo de produto.

A redução do tempo de latência no EllaLink se deu pelo fato de que o cabo não precisa, ao sair da Europa, passar pelos EUA, como os outros cabos do tipo, para então chegar ao Brasil e à América Latina. Como dissemos, o novo cabo faz conexão direta entre os dois continentes.

Mais privacidade

A conexão que o EllaLink faz entre Europa e América do Sul é muito mais segura porque não usa intermediários. Antes da instalação do cabo, esse tipo de conexão nesta rota precisava de equipamentos que ficam localizados nos Estados Unidos. Desta maneira, o tráfego de dados pode ser rastreado por algum desses equipamentos, deixando informações valiosas a mercê de um eventual episódio de espionagem, por exemplo.

Preço e financiadores do projeto

O EllaLink custou cerca de 150 milhões de euros ao todo, o equivalente à R$ 953 milhões na cotação atual. O investimento e construção do cabo veio da empresa que leva o mesmo nome do equipamento, a EllaLink. Segundo a companhia, os recursos foram provenientes de empresas como o Banco Europeu.

Outro grande figurão na realização deste audacioso projeto é o consórcio BELLA, grupo que contém parcerias de redes de pesquisas interessadas nos benefícios que o EllaLink vai trazer, como por exemplo a rede de pesquisa da Europa, a Géant e a rede de pesquisa sul-americana, a RedCLARA. Os recursos do BELLA vêm em especial da União Europeia que investiu 26,5 milhões de euros (R$ 163 milhões) no consórcio.

No Brasil, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Informações (MCTI), afirma que investiu um total de 8,9 milhões de euros no projeto, o que é equivalente à R$ 54,8 milhões.

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