Brasil teve a quinzena mais letal desde o início da pandemia

Apenas nos 15 primeiros dias de abril, país já soma 44.068 óbitos por Covid-19.

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Os números comprovam: estamos no momento mais letal da pandemia no Brasil desde o seu início.

Analisando apenas a primeira quinzena de abril, foram registrados, de acordo com os dados consolidados pelo consórcio de veículos de imprensa, 44.068 óbitos em decorrência das complicações por Covid-19.

Exceto todo o mês de março passado, que em seus 31 dias registrou 62.918 mortes, este registro em abril já supera (e muito) os números absolutos de todos os meses anteriores.

Na primeira quinzena de março que, até então, havia sido o mês mais letal da pandemia, foram registrados 24.584 mortes. Agora, o país soma na primeira quinzena de abril, um número maior em quase 20 mil óbitos.

Em relação aos outros meses, julho de 2020 se posiciona como o segundo mais letal até o momento, tendo registrado, em todos os seus 31 dias, a quantia de 32.912 mortes por Covid-19.

A quinzena mais letal: mais de 44 mil mortes em abril

Logo no início do mês de abril, especialistas haviam alertado que se o país não adotasse medidas adequadas e devidamente coordenadas, entraria em seu momento mais trágico da pandemia.

Afirmando que até 22 mil vidas poderiam ser salvas com lockdown nacional, apenas este estudo já buscava alertar as autoridades e apontar soluções ao problema desenfreado.

No entanto, nada foi feito e a campanha “Abril pela Vida” existe, até hoje, somente nas redes sociais.

Aliás, muito foi feito neste período: diversas cidades flexibilizaram as medidas de distanciamento, muitas permitiram a volta às aulas presenciais, outras até mesmo, suspenderam a vacinação seja por conta de feriado ou em razão da falta de doses que atinge a algumas capitais.

Além disso, vale lembrar que ainda não há estudos relacionando a letalidade das novas variantes que circulam pelo país, porém, já há dados suficientes que permitem afirmar que se tratam de variantes mais transmissíveis.

Também neste mês, a Fiocruz já havia alertado para um aumento de 468% no número absoluto de mortes analisando os dados obtidos entre as semanas epidemiológicas 12 e 13, isto é, entre 21 de março e 03 de abril.

Outro dado ainda sobre o fato de abril estar se tornando o mês mais letal em toda a história da pandemia no país, é o fato de nunca termos somado 50 mil novas mortes em um intervalo tão curto de tempo.

Isso ocorreu no dia 10 de abril, em que o país ultrapassou a marca de 350 mil mortes, atingindo 50 mil a mais em apenas 17 dias após o registro de 300 mil.

Um futuro assombroso: a projeção da Universidade de Washington

No início do mês, publicamos uma matéria de acordo com os dados levantados pela Universidade de Washington, que apontava que o Brasil iria ultrapassar a marca de 500 mil mortes em julho.

Porém, esta projeção já foi atualizada e, agora, o site do Instituto estima os seguintes números:

– O número de 400 mil óbitos por Covid-19 deve ser superado no dia 26 de abril dentro dos três cenários projetados pelo estudo.

– Até o fim de abril, 414 mil pessoas já devem ter perdido a vida em razão da doença, o que simboliza, se confirmado, um incremento de mais 48 mil mortes projetadas para a segunda quinzena no país.

– Já para se chegar a 500 mil mortes, o estudo atualizou a sua projeção e, agora, o pior dos cenários afirma que este número será superado em 04 de junho, enquanto que, na melhor das possibilidades, este número deve ser atingido em 06 de julho e, por fim, em uma projeção média, a triste marca deve ser superada em 10 de junho.

Contudo, apesar do apelo de especialistas e cientistas, o Brasil segue enfrentando o seu momento mais letal da pandemia até aqui em decorrência, principalmente, daquilo que um estudo na Science chamou de “uma combinação perigosa de inação e irregularidades” por parte do governo federal no enfrentamento à Covid-19.

Leia também: CPI da Covid-19: quem são os senadores e quais devem ser presidente e relator.

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