Bolsonaro volta a criticar lockdown, mas menciona possibilidade de “meio termo” durante live semanal

Seguindo a tendência de tom moderado, Bolsonaro sugere "meio-termo" entre lockdown e abertura de serviços não essenciais para preservar empregos

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Em mais uma de suas “lives semanais”, o presidente Jair Bolsonaro falou em “meio termo” com relação aos impasses com governadores e prefeitos sobre o lockdown.

Na noite desta quinta-feira (8), Bolsonaro pediu a governantes que considerem medidas menos rígidas entre o fechamento de todo o comércio não essencial e a liberação de todas as atividades.

Ao longo dos últimos meses, Bolsonaro vem tendo uma série de desgastes por conta de decretos que definiram medidas mais restritivas para conter o contágio pela Covid-19.

“Eu gostaria que aqueles que acham que podem fechar sem se preocupar com o desemprego visitem as comunidades, entrem na casa delas, vejam o que tem dentro da geladeira, como sobrevivem, para ver se a gente vai para o meio-termo, pelo menos no tocante a evitar que empregos sejam destruídos cada vez mais em nosso Brasil”, pediu o presidente em transmissão ao vivo realizada através de suas redes sociais oficiais.

Apesar disso, o presidente não esclareceu sobre o que esse “meio termo” englobaria e não sugeriu medidas práticas para evitar o lockdown.

“Meio termo”

Depois de uma série de atritos e controvérsias no STF, o presidente Jair Bolsonaro defendeu que se chegue a um “meio termo” em decretos publicados por governadores.

Segundo o presidente, estabelecer medidas menos drásticas no combate à pandemia da Covid-19 deve evitar o desemprego:

“Você sabe que tenho uma linha de defender o emprego, de combater o desemprego. Porque dois problemas nós temos: o vírus e o desemprego”.

“Estive na última segunda-feira numa comunidade em Brasília, e entreguei chaves para quatro pessoas. Uma estava aposentada e as outras três estavam sem ganho nenhum. Eu perguntei ‘como estavam sobrevivendo?’. E me disseram, ‘só Deus sabe disso'”, relatou o presidente.

ADI no STF

Em março, Bolsonaro entrou com ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal pedindo a anulação de decretos impostos por governadores e prefeitos para reduzir o contágio pelo coronavírus.

Na ocasião, ele falou sobre a decisão do município de São José do Rio Preto, que proibiu o funcionamento de postos de gasolina, e, sem citar nomes, chamou alguns governadores e prefeitos de “projetos de ditadores”.

As medidas sanitárias para a pandemia estão previstas na Lei 13979/2020, a mesma que o STF analisou e autorizou Estados e Municípios a tomarem as medidas de saúde necessárias em seus territórios, uma vez que o SUS é composto pelos governos federal, estadual e municipal.

Secretário corrobora tese de Bolsonaro

Na live desta quinta-feira (8), Bolsonaro levou o secretário executivo do Ministério da Saúde, Helio Angotti Neto.

Abgotti chegou a declarar que o governo federal se mobilizou pelas vacinas “quando ninguém falava” sobre os imunizantes.

O presidente, nesse momento, sustentava que o país tinha se preparado de forma adequada para o enfrentamento à doença desde o ano passado, envolvendo a participação de vários ministérios:

“A prova disso foi que nós compramos as vacinas no ano passado. Procede?”, questionou o Bolsonaro.

O secretário imediatamente concordou:

“Nos preparamos, desde o ano passado, e inclusive foi anunciada uma encomenda tecnológica com a Oxford, AstraZeneca, envolvendo Fiocruz”.

Segundo ele, desde o ano passado, “quando quase ninguém estava falando em vacina, o governo já estava se preparando para termos as vacinas que são aplicadas hoje”.

Apesar da falar do secretário, nesta quinta-feira (8) o Brasil voltou a superar a marca de mais de quatro mil mortes em 24 horas.

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