Bolsonaro promete acabar com desmatamento ilegal até 2030

Em carta enviada ao presidente americano Joe Biden, Bolsonaro fez a promessa e se comprometeu a participar de encontro de líderes sobre mudanças climáticas

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Em carta enviada a Joe Biden na última quarta-feira (14), o presidente Jair Bolsonaro se comprometeu a eliminar o desmatamento ilegal no Brasil até o ano de 2030.

Este pode ser considerado o mais forte aceno feito pelo governo federal brasileiro à agenda ambiental do líder americano.

O presidente do Brasil enviou uma carta de sete páginas a Biden, dias antes de o presidente dos Estados Unidos realizar uma cúpula com dezenas de chefes de Estado sobre mudanças climáticas.

O encontro organizado pelo governo norte-americano será realizado em 22 de abril.

Bolsonaro afirmou que “terá muita satisfação em participar do evento” e “assegura seu engajamento na busca de compromissos e resultados ambiciosos para a cúpula”.

Conteúdo da carta

Ao longo da mensagem, Bolsonaro acenou pela primeira vez a um dos principais pleitos dos americanos: o comprometimento com o fim do desmatamento ilegal nos próximos anos.

“Queremos reafirmar, nesse ato, em inequívoco apoio aos esforços empreendidos por V. Excelência, o nosso compromisso de eliminar o desmatamento ilegal no Brasil até 2030”, prometeu Bolsonaro.

A promessa sobre o desmatamento ilegal não constava em outras metas assumidas pelo país na pasta ambiental.

“Reitero o compromisso do Brasil e do meu governo com os esforços internacionais de proteção do meio ambiente, combate à mudança do clima e promoção do desenvolvimento sustentável. Teremos enorme satisfação em trabalhar com V. Excelência em todos esses objetivos comuns”, acrescentou Bolsonaro na carta.

O presidente afirmou ainda que o Brasil pode antecipar para 2050 o objetivo de longo prazo de alcançar a neutralidade climática, dez anos antes do que o previamente assumido.

Ajuda internacional

Bolsonaro, no entanto, ressaltou que a antecipação depende da viabilização de “recursos anuais significativos, que contribuam nesse sentido”.

O presidente brasileiro reconheceu ainda que o país enfrenta o aumento das taxas de desmatamento na Amazônia e disse que a tendência ocorre desde 2012, ainda no governo Dilma Rousseff.

A carta endereçada a Biden difere do tom adotado por Bolsonaro nos dois primeiros anos de seu mandato.

Ele havia acusado governantes estrangeiros de questionarem a soberania brasileira sobre a Amazônia, além de ter atacado ONGs e criticado líderes indígenas.

O presidente manteve o pedido por ajuda internacional para alcançar metas de redução da emissão da carbono:

“Ao sublinhar a ambição das metas que assumimos, vejo-me na contingência de salientar, uma vez mais, a necessidade de obter o adequado apoio da comunidade internacional, na escala, volume e velocidade compatíveis com a magnitude e a urgência dos desafios a serem enfrentados​”.

As negociações entre Brasil e Estados Unidos têm sido acompanhadas de perto por grandes empresas e bancos brasileiros.

Repercussão em outras áreas

Fontes especializadas na área afirmam que um acordo ambiental é vital para que os americanos sejam generosos com o Brasil em outras áreas, como no fornecimento de vacinas.

A partir do fim de maio, os EUA terão doses sobrando de vacina após imunizar toda a sua população adulta.

Muitos países estão disputando para receber essas doses.

O Brasil registrou 3.462 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas e totalizou na última quarta-feira (14) 362.180 óbitos desde o início da pandemia.

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