Bolsonaro é acusado de “crime contra a humanidade” em audiência no Parlamento Europeu

Para eurodeputados, descontrole da pandemia no Brasil é ameaça global

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Em audiência nesta quinta (15) no Parlamento Europeu, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi acusado de cometer “um crime contra a humanidade” por conta da má gestão da pandemia de Covid-19 no Brasil, onde mais de 360 mil pessoas já perderam a vida por conta da doença desde março de 2020.

Na audiência, os eurodeputados avaliaram a situação da crise sanitária no Brasil e afirmaram que a situação desastrosa em que se encontra o país é resultado direto de decisões políticas por parte do governo federal.

“O que ocorre no Brasil é uma tragédia. Mas poderia ter sido evitada e baseada em decisões políticas equivocadas”, disse Anna Cavazzini, eurodeputada alemã pelo Partido Verde e vice-presidente da delegação do Parlamento Europeu para assuntos relacionados ao Brasil.

Anna Cavazzini, que já havia criticado o presidente brasileiro, também questionou as ações do governo Bolsonaro para enfrentar a crise social instaurada por conta da Covid-19. “A covid-19 virou uma crise social, com pessoas indo para cama com fome. O que o governo vai fazer sobre isso?”, questionou.

Bolsonaro pratica “necropolítica”

O eurodeputado Miguel Urban Crespo, do partido de esquerda Podemos, não poupou críticas ao presidente brasileiro. “Bolsonaro declarou guerra aos pobres, à ciência, à vida e à medicina”, disse.

“Vamos dizer claramente: a necropolítica de Bolsonaro é um crime contra a humanidade contra o povo brasileiro”, completou. Segundo Miguel Urban Crespo, é uma “autêntica vergonha” a União Europeia continuar negociando um acordo comercial com o Mercosul.

Já a eurodeputada Clara Aguilera criticou o projeto de lei que prevê a compra de vacinas contra Covid-19 por empresas privadas no Brasil. “Isso vai afetar a todos”, disse ela, que também questionou se o auxílio emergencial oferecido pelo governo federal era “mais marketing que realidade”.

Embaixador brasileiro participou da audiência

Em resposta, o embaixador brasileiro presente na audiência, Marcos Galvão, pediu para que “se deixe a política para depois”. “Não vamos salvar vidas hoje ou semana que vem se entrar nesse debate, que já está ocorrendo”, disse. De acordo com Galvão, sua missão era pedir ajuda a União Europeia para levar mais vacinas contra Covid-19 ao Brasil.

O embaixador brasileiro reconheceu a gravidade da crise sanitária causada pelo coronavírus no país, citando inclusive a falta de insumos básicos como oxigênio e a alta do desemprego durante a pandemia. No entanto, ele insistiu que o foco precisa ser o acesso às vacinas. “O contribuinte me paga para buscar ajuda no exterior”, disse ele.

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  3. […] deputada alemã pelo Partido Verde, Anna Cavazzini, também não poupou críticas ao mandatário brasileiro. “São quase 400 mil mortos no Brasil. […]

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