Bolsonaro critica CPI da Covid e afirma que país está “sofrendo demais” e não precisa de “conflitos”

Jair Bolsonaro concede breve entrevista à rede de televisão e fala sobre CPI da Covid, fechamento de templos e auxílio emergencial

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Em entrevista concedida à emissora “CNN Brasil”, o presidente Jair Bolsonaro afirmou, na noite desta quinta-feira (8), que o Brasil está “sofrendo demais” e não precisa de “conflitos”.

O desabafo foi feito depois que o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, determinou ao Senado a instalação de uma CPI para investigar a atuação do governo federal na pandemia de Covid-19:

“Teve decisões acontecendo e vocês sabem qual é a minha opinião, e vamos tocar a vida aí. O Brasil está sofrendo demais e o que menos precisamos é de conflitos”.

O presidente ressaltou ainda que respeita a Constituição Federal e, sem mencionar alguém especificamente, disse que “seria bom” se todos se comportassem da mesma maneira:

“Respeito completamente a nossa Constituição. Não tem um pingo fora das quatro linhas da mesma. A população está cada vez mais se conscientizando, se interessa por política, debate, discute. Agora, seria bom se todo mundo jogasse dentro das quatro linhas”.

Decisão do STF sobre restrições a cultos e missas

O presidente falou também sobre a proibição do funcionamento de igrejas:

“O cara em uma situação depressiva procura Deus. E procura onde? Deus está em todo lugar, nós sabemos disso, mas ele vai na igreja, vai num templo”.

O comentário se refere a decisão do plenário do STF que autorizou governadores e prefeitos a editarem decretos restringindo eventos religiosos presidenciais.

Bolsonaro ainda ressaltou que “lá dentro, com todas as medidas de afastamento, não tem possibilidade de transmitir o coronavírus, é quase zero”.

Ambiente de alto risco

No entanto, a afirmação de Bolsonaro em relação à transmissão não possui embasamento científico.

Estudos publicados em diversos países já apontaram que há altos riscos de proliferação do coronavírus em missas e cultos presenciais.

Segundo a médica infectologista Denise Garrett, liberar a realização de missas e cultos em todo o Brasil “vai contra qualquer medida de bom senso para preservar vidas e controlar a pandemia”.

Por conta dos ambientes fechados, da pouca ventilação, do amplo contato entre fiéis e do uso compartilhado de objetos, os cultos religiosos são considerados ambientes de alto risco.

“Celebrações religiosas são ambientes de alto risco. Temos vários relatos de surtos originados em locais de culto. Não somente por serem ambientes fechados, mas também pelas atividades desenvolvidas (orações, corais, canto) que propiciam liberação de partículas virais no ar”, afirma a especialista.

Auxílio emergencial

Sobre o valor atual do auxílio emergencial, Bolsonaro reconheceu que é “muito pouco”.

A quantia varia entre R$ 150 e R$ 375, a ser paga em quatro parcelas.

No entanto, Bolsonaro afirmou que quem não quiser receber, “a gente vê uma maneira de aumentar o de quem está recebendo”.

O presidente também falou sobre o orçamento para o ano de 2021, aprovado pelo Congresso no final de março:

“A gente conversa com lideranças da Câmara, do Senado. Estamos buscando uma solução. Não podemos começar a criticar e acusar”, afirmou.

Nas últimas semanas, o Brasil vem batendo seguidos recordes diários de mortes e enfrentando diversas crises no decorrer pandemia.

Nesta quinta-feira (8), o Brasil voltou a superar a marca de mais de quatro mil mortes em 24 horas.

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