Bolsonaro criou “saia justa” para Queiroga, que “deveria pedir demissão”, diz o senador Otto Alencar

Senador avalia que o presidente estaria desmoralizando o ministro da Saúde

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Nesta quinta-feira (10), o senador Otto Alencar (PSD-BA), membro da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) colocou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em uma “saia justa” com o pedido por um parecer que “desobrigaria” o uso de máscaras por pessoas vacinadas ou que já tiveram Covid-19. A declaração foi dada ao Blog do Valdo Cruz, no G1.

De acordo com Alencar, que é médico, Queiroga deveria pedir demissão do cargo após o pedido de Bolsonaro sobre a desobrigação do uso de máscaras.

“Se ele acatar o pedido do presidente e fizer um parecer desobrigando o uso da máscara, vai contra o que ele disse na CPI nesta semana. Vai ficar desmoralizado. O presidente colocou ele numa saia justa, eu acho que ele deveria pedir demissão”, afirmou o senador.

Na avaliação do senador, a proposta de Bolsonaro é uma temeridade, pois o Brasil não vacinou mais da metade da população, como os Estados Unidos, o Reino Unido e Israel, que relaxaram a política de uso de máscaras recentemente e registram queda considerável no número de casos e mortes por Covid-19.

Bolsonaro estaria tentando forçar a demissão de Queiroga?

Alencar também apontou que quem já teve Covid-19 pode ser contaminado novamente, portanto, não faz sentido estimular que tais pessoas deixem de usar máscara de proteção contra o novo coronavírus. Para o senador, o presidente estaria tentando forçar a saída do ministro Queiroga.

“O presidente não engoliu o que o Queiroga falou na CPI, que a cloroquina não tem eficácia. Ele, quando quer tirar um ministro, começa a desautorizá-lo”, afirmou Otto Alencar.

“Se o Queiroga ficar e fizer o parecer, não tem altivez, personalidade, porque não é possível que ele vá se submeter a fazer um parecer como esse, com a doença em ascensão, com a terceira onda correndo o risco de chegar”, acrescentou.

A proposta de Bolsonaro também foi alvo de críticas por parte do governador do Piauí, Wellington Dias (PT), que também é presidente no Fórum dos Governadores. Segundo ele, a proposta de Bolsonaro é como “jogar querosene em um incêndio”.

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